Com mais lares e famílias menores, mercado de decoração atinge recorde no Brasil
Mercado de casa e decoração movimenta R$ 127,7 bilhões e reforça força da produção nacional
O mercado brasileiro de casa e decoração segue em expansão, consolidando-se como um dos segmentos mais dinâmicos do varejo nacional. Em 2024, o consumo de móveis e colchões no varejo atingiu R$ 127,7 bilhões, com 404 milhões de peças comercializadas, e o consumo per capita foi de R$ 601 por ano, segundo dados do estudo mais recente do IEMI – Inteligência de Mercado.
O levantamento revela ainda que 96% das peças vendidas foram produzidas no Brasil, reforçando a importância da indústria nacional no atendimento à demanda interna. No e-commerce, apesar de ser uma fatia menor, as vendas superaram R$ 3,7 bilhões em 2024, sinalizando o papel crescente do comércio digital no segmento.
Indústria em alta e emprego aquecido
Do lado da produção, a indústria brasileira de móveis e colchões também mostrou desempenho robusto: foram 439,9 milhões de peças produzidas, com faturamento de R$ 91,6 bilhões e 282,7 mil postos de trabalho ocupados em 2024.
No setor de linha lar — que inclui artigos de cama, mesa, banho e decorativos — a produção alcançou R$ 31,9 bilhões, com mais de 1 bilhão de peças produzidas e consumidas no país. Esses números ressaltam a importância da cadeia produtiva para a economia e o emprego, especialmente em momentos em que o consumo interno se mantém resiliente.

Mais lares e famílias menores impulsionam consumo
Para o IEMI, o avanço do mercado está ligado a mudanças estruturais no modo de vida dos brasileiros nos últimos 20 anos. O total de domicílios passou de 60 milhões em 2004 para 78 milhões em 2024, e a média de moradores por residência caiu de 3,0 para 2,7. Isso significa que há mais casas — e, portanto, mais necessidade de mobiliar e decorar ambientes.
O perfil dos consumidores também tem mudado: a idade média da população subiu de 29 para 36 anos, e a participação de pessoas com 45 anos ou mais cresceu de 23% para 38%. Essa tendência de envelhecimento é associada a um maior interesse por conforto, durabilidade e bem-estar no lar, fatores que alimentam a demanda por produtos de casa e decoração.
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Têxteis puxam crescimento em decorativos e cama
Os têxteis para o lar despontaram como um dos segmentos mais dinâmicos do mercado. Entre 2000 e 2024, o volume de peças cresceu 93%, impulsionado especialmente pelos artigos decorativos, com alta de 147%, e roupas de cama, com 135% de crescimento.
Em 2024, os itens de cama responderam por 35% do volume produzido e 38,2% das vendas em valor no segmento de linha lar, o que mostra a relevância do conforto e estética no consumo dos lares brasileiros.
Outros levantamentos também indicam que o setor de artigos para casa apresentou forte desempenho ao longo de 2024, com crescimento de faturamento no varejo e aumento da produção interna em diversos meses do ano.

Perspectivas e tendências futuras
Projeções internacionais apontam que o mercado de home decor continua a crescer nos próximos anos. Estudos globais estimam que a receita do mercado de decoração no Brasil deve seguir em expansão até 2030, com expectativa de crescimento médio anual significativo, impulsionado pela urbanização, maior poder de compra e adoção de compras online.
Esse crescimento não é isolado: tanto mobiliário quanto têxteis e itens decorativos estão entre os destaques da demanda futura, com consumidores buscando soluções que aliam funcionalidade, design e bem-estar. A participação do Brasil no cenário global ainda é modesta em termos percentuais, mas vem ganhando espaço graças ao fortalecimento da produção doméstica e ao interesse por tendências de consumo centradas no lar.
O mercado de casa e decoração no Brasil não é mais apenas um setor de reposição pontual, mas uma indústria em expansão contínua, moldada por novas dinâmicas familiares, envelhecimento da população e um compromisso maior com o conforto do lar. Com vendas que superam R$ 127,7 bilhões no varejo em 2024 e perspectivas de crescimento para os próximos anos, o setor se firma como um dos pilares do varejo e da indústria brasileira — impulsionando empregos, produção e inovação em produtos que refletem o estilo de vida dos brasileiros.