Vídeo mostra momento em que corretora de Caldas Novas é atacada por síndico; veja a filmagem
Prova digital, perícias e contradições do síndico consolidaram conclusão de homicídio com ocultação de cadáver
A Polícia Civil de Goiás detalhou como desvendou o assassinato da corretora Daiane Alves Sousa, em Caldas Novas,após intensa investigação, o caso deixou de ser considerado um simples registro de desaparecimento, em dezembro de 2025. Desde os primeiros levantamentos, no entanto, os investigadores identificaram indícios de que a ausência não era voluntária.
Logo no início, a equipe constatou que Daiane não levou objetos pessoais essenciais, não realizou movimentações bancárias e tampouco utilizou o celular após determinado horário. Além disso, não havia qualquer histórico de fuga, depressão ou planejamento de viagem. Diante das circunstâncias suspeitas, o procedimento foi encaminhado ao Grupo de Investigação de Homicídios (GIH).
Indícios afastaram hipótese de desaparecimento voluntário da Corretora
Durante as diligências, a polícia identificou uma interrupção manual no fornecimento de energia do apartamento da vítima. A análise técnica confirmou que houve intervenção física no padrão elétrico, fato que não ocorreria de forma espontânea. A última vez que Daiane foi vista foi no próprio condomínio onde morava.
As suspeitas passaram a recair sobre o síndico, Cleber Rosa de Oliveira. Segundo a investigação, ele apresentou versões contraditórias sobre horários, procedimentos internos e o motivo da ida da vítima ao subsolo no dia 17 de dezembro de 2025. Também não havia registros de saída dela do prédio com vida. Com base nos indícios, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do investigado, medida deferida pela Justiça para aprofundamento das apurações.
Prova digital foi decisiva para conclusão de emboscada e término da investigação
O avanço da investigação revelou padrão típico de homicídio com ocultação de cadáver: silêncio digital absoluto após determinado horário, ausência de vestígios aparentes e conduta ativa de pessoa com acesso às áreas técnicas do prédio.
No dia 28 de janeiro de 2026, os policiais prenderam Cleber em sua residência. Inicialmente, o filho dele, Maicon Douglas, também foi detido por suspeita de envolvimento. Durante as investigações, o síndico indicou o local onde havia deixado o corpo. A ossada foi localizada às margens da GO-213, a cerca de 15 quilômetros da cidade.
Em interrogatório, Cleber alegou discussão, luta corporal e disparo acidental. Disse ainda que transportou o corpo em seu veículo, descartou a arma em um braço do lago Corumbá e jogou o celular da vítima em uma caixa de esgoto do prédio.
Contudo, a recuperação do aparelho trouxe a prova decisiva. No telefone, a perícia encontrou um vídeo gravado pela própria vítima ao descer ao subsolo para verificar a falta de energia. As imagens mostram o investigado já presente no local, aproximando-se por trás e iniciando a agressão de forma repentina, sem indício de discussão prévia. A gravação foi interrompida abruptamente.
Perícias com luminol identificaram vestígios de sangue no local indicado e no veículo utilizado. Laudo antropológico apontou fraturas cranianas compatíveis com dois disparos de arma de fogo, afastando a hipótese de acidente.
A simulação pericial ainda demonstrou que disparos no local seriam audíveis na portaria, o que contradiz declarações de que ninguém ouviu tiros naquele dia.
Diante do conjunto probatório, a Polícia Civil concluiu que houve homicídio doloso, praticado por meio de emboscada, com posterior ocultação de cadáver para assegurar a impunidade. O inquérito foi finalizado com autoria definida, materialidade comprovada e indícios de premeditação.
Veja o vídeo abaixo:
Ver essa foto no Instagram
Leia também: Polícia prende casal que entregava drogas por “delivery” em Aparecida de Goiânia