Caiado e Daniel reorganizam base após aval de Bolsonaro para Wilder
Com o PL fora do arco de alianças da base governista, o grupo palaciano trabalha para ajustar disputa pelas vagas na chapa majoritária e satisfazer aliados
Desde a notícia de que o senador Wilder Morais (PL) recebeu o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser candidato ao Governo de Goiás, a base do Palácio das Esmeraldas, liderada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) e pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB), recalcula a rota e se organiza para abrigar os partidos que serão aliados nas disputas eleitorais.
Fato é que a não composição com o PL trará o ônus e o bônus para Caiado e Daniel. O ônus é óbvio, que é o fato de não ter como aliado um partido com forte apelo eleitoral no Estado, sobretudo pelo perfil do eleitorado goiano, majoritariamente conservador, além de ganhar um concorrente na disputa pelo Executivo estadual.
Já o bônus é ter menos dor de cabeça na montagem das chapas. O PL fora significa menos um grande partido para alocar nas disputadas vagas que terão apoio da base. O congestionamento na base, causado pelo excesso de aliados e que mostra a hegemonia do grupo palaciano, já rendeu desertores, que migraram para a oposição.
Exemplo disso é o caso do deputado federal Zacharias Calil (União Brasil), pré-candidato ao Senado. Para a reportagem do O HOJE, Calil afirmou que, mesmo no cenário atual, com a segunda vaga da base para a disputa pela Casa Alta em aberto, não há chances de o parlamentar voltar à base.
“Não há nenhuma chance de ser candidato pela base aliada. Logo após eu dizer que sairia da base, ele [Caiado] demitiu 19 aliados meus”, explicou o deputado. Calil é disputado pelo PSDB, do ex-governador Marconi Perillo, e pelo PL de Wilder. Inclusive, o parlamentar irá participar de uma reunião no diretório dos liberais em Goiânia nesta sexta-feira (20), a convite do senador.
Com a segunda vaga em aberto, que seria ocupada pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL) em caso de acordo da base com a sigla bolsonarista, Caiado e Daniel irão decidir sobre quem será o substituto que caminhará ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado (UB), único nome da base já certo para disputa do Senado. Apesar da saída de Calil, o que não faltam são postulantes para compor a chapa majoritária que será liderada pelo emedebista.
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Concorrentes no PSD de Caiado
Só no PSD de Caiado, há dois concorrentes pela segunda vaga da Casa Alta. O senador Vanderlan Cardoso, que garante que será candidato à reeleição, seja pela base ou não, e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha.
Entre os evangélicos, o ex-senador Luiz Carlos do Carmo (Podemos) é cotado para a vice de Daniel, o que garantiria o apoio da Assembleia de Deus, presidida pelo irmão de Luiz Carlos, o bispo Oídes José do Carmo. Porém, se a vice de Daniel ficar com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, pode ser que Luiz Carlos seja o nome da segunda vaga para a Casa Alta.
Independentemente de qual será o escolhido para a segunda vaga na disputa pelo Senado e para a vice de Daniel, o que se sabe é que as discussões para montagem das chapas majoritárias e proporcionais já acontecem em ritmo acelerado.
Como já mostrado pelo O HOJE, só na federação União Progressista (UB-PP) devem ser 18 candidatos a deputados federais. De acordo com o objetivo de cada legenda para essa eleição, a estimativa é que, juntos, os principais partidos da base, leia-se MDB, PSD e União Brasil/PP, elejam de 10 a 12 deputados federais.