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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
SAÚDE

Resistência à insulina: sinais além do cansaço

O que a resistência à insulina revela antes do diabetes aparecer

Luana Avelarpor Luana Avelar em 23 de fevereiro de 2026
Resistência à insulina
Foto: CarePlus

A resistência à insulina não provoca dor aguda nem febre. Tampouco costuma levar alguém ao pronto-socorro. Ainda assim, instala-se de forma progressiva e ajuda a explicar sintomas frequentemente atribuídos ao ritmo acelerado da rotina: fadiga persistente, fome poucas horas após a refeição e dificuldade para reduzir gordura abdominal mesmo com dieta e exercício.

Associada ao excesso de peso, a resistência à insulina também ocorre em pessoas magras. O dado amplia o campo de vigilância clínica e desafia a percepção de que apenas indivíduos com obesidade estariam sob risco. “É um erro achar que apenas quem está acima do peso precisa se preocupar. A resistência à insulina pode estar presente mesmo em quem aparenta ter um estilo de vida saudável”, afirma a médica integrativa Raquel Delatorre.

A insulina é responsável por permitir que a glicose entre nas células e seja convertida em energia. Quando tecidos como músculo e fígado passam a responder de maneira ineficiente, o pâncreas intensifica a produção hormonal para manter a glicemia dentro de parâmetros considerados adequados. “Esse esforço contínuo gera um estado inflamatório, favorece alterações hormonais e, ao longo do tempo, pode abrir caminho para o diabetes tipo 2”, explica.

Resistência à insulina
Foto: Freepik

Resistência à insulina e sinais fragmentados

Antes da consolidação do diabetes, o organismo costuma emitir indícios discretos. Entre eles estão sonolência após as refeições, desejo recorrente por doces, manchas escurecidas em regiões como pescoço e axilas, além de alterações laboratoriais como elevação de triglicerídeos. A fragmentação desses sinais contribui para atrasar o diagnóstico da resistência à insulina.

A fadiga é atribuída ao trabalho. A fome frequente é interpretada como indisciplina alimentar. A sonolência pós-prandial é naturalizada. O colesterol elevado recebe abordagem isolada. A hipótese de um distúrbio metabólico unificador nem sempre é considerada.

Para a médica, a conduta exige personalização. “A quantidade de carboidrato, a combinação entre os alimentos e até a ordem em que eles são consumidos interferem diretamente na resposta glicêmica”, afirma. Ajustes na composição das refeições e prática regular de atividade física contribuem para melhorar a sensibilidade celular e reduzir a progressão da resistência à insulina.

Sono insuficiente e estresse crônico também interferem no equilíbrio metabólico, impactando hormônios relacionados ao apetite e à regulação glicêmica. A investigação de carências nutricionais integra o manejo clínico. A ausência de energia pode decorrer de déficits de vitaminas e minerais, frequentemente associados ao quadro inflamatório metabólico.

“Cuidar da saúde metabólica não é apenas evitar uma doença futura. É recuperar disposição, clareza mental e bem-estar no presente”, conclui.

Em um contexto de crescimento das doenças metabólicas, reconhecer precocemente a resistência à insulina permite intervenção antes que o desequilíbrio evolua para diabetes estabelecido. O cansaço persistente pode ser mais do que desgaste cotidiano. Em alguns casos, sinaliza um organismo em sobrecarga.

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