Troca de partido vira batalha de narrativa em Goiás
Deputado estadual Lucas Calil questiona discurso de falta de espaço político, rebate justificativa para mudança partidária e afirma que a troca de sigla revela escolha estratégica, não limitação interna
A saída de Ana Paula Rezende do MDB para o PL reacendeu, nos bastidores da política goiana, uma disputa que vai além das filiações partidárias: o controle da narrativa sobre liberdade política. Em declaração firme, o deputado estadual Lucas Calil contestou o argumento de falta de espaço dentro do MDB e afirmou que a mudança representa uma decisão estratégica pessoal, e não ausência de autonomia dentro do partido.
Ao comentar a saída de Ana Paula Rezende do MDB para o PL, o deputado estadual Lucas Calil foi direto ao classificar como incoerente o argumento de que a mudança teria ocorrido por falta de espaço político. Para o parlamentar, a justificativa não se sustenta diante do histórico e da posição que a ex-deputada ocupava dentro da legenda.
Segundo Calil, Ana Paula estava prestes a assumir a presidência estadual do MDB, o que, em sua avaliação, desmonta a tese de ausência de liberdade interna. “Como não se tem liberdade em um partido onde se estaria na condição de comandante?”, questiona o deputado, ao reforçar que, mesmo parlamentares sem cargos de direção formal, desfrutam de ampla autonomia política dentro da sigla.

A crítica vai além do aspecto partidário e alcança o campo simbólico. Calil resgata o legado do ex-governador Iris Rezende, apontando que a decisão representa um distanciamento de uma trajetória política construída historicamente dentro do MDB. Para ele, divergências internas são naturais, mas a ruptura, especialmente em um momento estratégico, enfraquece laços que ultrapassam o calendário eleitoral.
Nos bastidores, a fala do deputado revela um movimento mais amplo: a tentativa de conter o impacto político das migrações partidárias e reafirmar que, no atual cenário goiano, o peso das siglas é menor do que o alinhamento a projetos de governo. Ao defender a base do governador Ronaldo Caiado (PSD) como sólida e organizada, Calil sinaliza que as trocas de legenda fazem parte do jogo, mas não definem, por si só, o rumo do poder.
A disputa, portanto, não é apenas por filiação partidária, mas por quem controla a narrativa. De um lado, o discurso de liberdade individual para justificar alianças; do outro, a argumentação de que espaço político sempre existiu e que a mudança revela, na prática, uma escolha estratégica — e não uma limitação imposta. Em um ambiente de pré-campanha permanente, a fala de Lucas Calil indica que, em Goiás, a batalha política já acontece muito antes das urnas.