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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
LIBERDADE EM DISPUTA

Troca de partido vira batalha de narrativa em Goiás

Deputado estadual Lucas Calil questiona discurso de falta de espaço político, rebate justificativa para mudança partidária e afirma que a troca de sigla revela escolha estratégica, não limitação interna

Luma Silveirapor Luma Silveira em 23 de fevereiro de 2026

A saída de Ana Paula Rezende do MDB para o PL reacendeu, nos bastidores da política goiana, uma disputa que vai além das filiações partidárias: o controle da narrativa sobre liberdade política. Em declaração firme, o deputado estadual Lucas Calil contestou o argumento de falta de espaço dentro do MDB e afirmou que a mudança representa uma decisão estratégica pessoal, e não ausência de autonomia dentro do partido.

Ao comentar a saída de Ana Paula Rezende do MDB para o PL, o deputado estadual Lucas Calil foi direto ao classificar como incoerente o argumento de que a mudança teria ocorrido por falta de espaço político. Para o parlamentar, a justificativa não se sustenta diante do histórico e da posição que a ex-deputada ocupava dentro da legenda.

Segundo Calil, Ana Paula estava prestes a assumir a presidência estadual do MDB, o que, em sua avaliação, desmonta a tese de ausência de liberdade interna. “Como não se tem liberdade em um partido onde se estaria na condição de comandante?”, questiona o deputado, ao reforçar que, mesmo parlamentares sem cargos de direção formal, desfrutam de ampla autonomia política dentro da sigla.

Troca de partido vira batalha de narrativa em Goiás
Foto: Reprodução

 

A crítica vai além do aspecto partidário e alcança o campo simbólico. Calil resgata o legado do ex-governador Iris Rezende, apontando que a decisão representa um distanciamento de uma trajetória política construída historicamente dentro do MDB. Para ele, divergências internas são naturais, mas a ruptura, especialmente em um momento estratégico, enfraquece laços que ultrapassam o calendário eleitoral.

Nos bastidores, a fala do deputado revela um movimento mais amplo: a tentativa de conter o impacto político das migrações partidárias e reafirmar que, no atual cenário goiano, o peso das siglas é menor do que o alinhamento a projetos de governo. Ao defender a base do governador Ronaldo Caiado (PSD) como sólida e organizada, Calil sinaliza que as trocas de legenda fazem parte do jogo, mas não definem, por si só, o rumo do poder.

A disputa, portanto, não é apenas por filiação partidária, mas por quem controla a narrativa. De um lado, o discurso de liberdade individual para justificar alianças; do outro, a argumentação de que espaço político sempre existiu e que a mudança revela, na prática, uma escolha estratégica — e não uma limitação imposta. Em um ambiente de pré-campanha permanente, a fala de Lucas Calil indica que, em Goiás, a batalha política já acontece muito antes das urnas.

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