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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
NEGOCIOS

Consultoria de investimentos cresce 28% e vive maior ciclo de expansão no país

Brasil soma 59 milhões de investidores e R$ 7,9 trilhões aplicados

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 24 de fevereiro de 2026
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Foto: Divulgação

O mercado de consultoria de investimentos no Brasil entrou em 2025 no que especialistas classificam como seu ciclo mais consistente de expansão. Levantamento da Veritas, com base em dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aponta que 663 novos consultores de investimentos pessoa física ingressaram no setor ao longo do ano, alta de 28% em relação a 2024.

O avanço ocorre em um ambiente de amadurecimento do mercado financeiro brasileiro, que hoje reúne cerca de 59 milhões de investidores e aproximadamente R$ 7,9 trilhões em ativos aplicados. O volume reforça a relevância econômica do ecossistema de investimentos e amplia a demanda por profissionais especializados em planejamento financeiro e gestão patrimonial.

Da marginalidade ao centro do wealth management na consultoria

A expansão ganha dimensão histórica quando comparada ao início da atividade no país. Até 2016, existiam apenas cerca de 200 consultores pessoa física em atuação. A partir de 2019, o segmento iniciou uma ruptura estrutural, com forte aceleração nos registros anuais.

Segundo a Veritas, o crescimento está associado à consolidação de um modelo baseado em planejamento financeiro personalizado, remuneração por fee fixo e maior alinhamento de interesses com o investidor. O formato reduz potenciais conflitos de interesse e fortalece a percepção de independência do consultor.

Consultoria
Foto: Divulgação

O movimento também alcança as consultorias pessoa jurídica. Em 2025, foram registrados 162 novos escritórios, alta de 27% sobre o ano anterior, elevando o total para 492 empresas ativas. Após décadas com menos de 30 novos cadastros por ano, o setor passou a registrar mais de 160 novas estruturas anuais desde 2019.

Assessoria desacelera e entra em fase de maturação

Enquanto a consultoria acelera, o segmento de assessoria de investimentos apresenta sinais de estabilização. Em 2025, foram cadastrados 3.508 novos assessores pessoa física — queda de 6,2% frente ao ano anterior. O país soma atualmente 26.830 profissionais ativos.

O número ainda é robusto, mas distante do ritmo observado entre 2018 e 2022, quando os registros anuais superavam 5 mil novos profissionais. Nas assessorias pessoa jurídica, a desaceleração também é evidente: 168 novos escritórios em 2025, retração de 26,6% na comparação anual, totalizando 1.426 estruturas no país.

Analistas apontam que a abertura de novas operações exige maior capitalização, estrutura de governança e clareza estratégica, fatores que elevam a barreira de entrada e indicam amadurecimento do mercado.

Leia também: Transformação digital vira requisito de sobrevivência para empresas em Goiás

Concentração regional e disputa por escala na consultoria

O levantamento evidencia forte concentração geográfica das assessorias, especialmente na região Sudeste. A cidade de São Paulo lidera com ampla vantagem, reunindo mais empresas do que todas as demais capitais somadas. Rio de Janeiro aparece na segunda posição, seguido por Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba.

A posição de Porto Alegre à frente de Belo Horizonte chama atenção. Embora Minas Gerais concentre grande número de investidores de alta renda, o Rio Grande do Sul mantém tradição consolidada na área de assessoria e distribuição de investimentos.

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Foto: Divulgação

O cenário indica que escala e posicionamento estratégico tornaram-se determinantes para a competitividade. Escritórios maiores, com acesso a tecnologia, inteligência de dados e plataformas robustas, ganham vantagem em um mercado mais sofisticado.

Impacto das normas da CVM e modelos híbridos

A entrada em vigor das resoluções CVM 178 e 179 contribuiu para elevar o nível de transparência na relação entre profissionais e clientes. As normas estabeleceram regras mais claras sobre remuneração, dever fiduciário e comunicação com investidores.

Como consequência, muitos escritórios de consultoria passaram a adotar modelos híbridos, combinando consultoria e assessoria em uma mesma estrutura. O objetivo é ampliar o portfólio de serviços e atender diferentes perfis de investidores.

O movimento sugere não a substituição de um modelo pelo outro, mas a coexistência complementar. Em um mercado com quase 60 milhões de investidores e trilhões sob gestão, a tendência é de segmentação, especialização e profissionalização crescente.

A consolidação do setor de consultoria reflete uma transformação estrutural do sistema financeiro brasileiro. O crescimento da educação financeira, a digitalização das plataformas e a diversificação de produtos ampliaram o acesso ao mercado de capitais. Nesse contexto, consultores e assessores disputam espaço em um ambiente mais regulado, competitivo e orientado por transparência.

 

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