Parlamento britânico aprova divulgação de documentos ligados a ex-príncipe
Câmara dos Comuns apoia divulgação de documentos sobre nomeação de Andrew após investigação envolvendo caso Epstein
O Parlamento do Reino Unido aprovou na terça-feira (24) a divulgação de documentos confidenciais sobre a nomeação de Andrew Mountbatten-Windsor como representante especial para o Comércio Internacional. A decisão ocorre dias após o ex-príncipe ter sido interrogado pela polícia por seus vínculos com o criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.
A votação simbólica foi realizada na Câmara dos Comuns, a Casa baixa do Parlamento britânico. Até a última atualização, os documentos ainda não haviam sido tornados públicos, e não há prazo definido para a divulgação.
Irmão do rei Charles III, o ex-príncipe foi preso na semana passada sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público. Ele permaneceu cerca de 11 horas em uma delegacia para prestar depoimento. Nenhuma acusação formal foi apresentada até o momento.
As autoridades britânicas investigam se Andrew enviou relatórios confidenciais a Epstein enquanto atuava como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional entre 2001 e 2011. A suspeita ganhou força após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar, desde dezembro de 2025, arquivos relacionados ao caso do empresário, que morreu na prisão em 2019.

Parlamento exige que documentos sobre ex-príncipe se tornem públicos
A pressão pela divulgação partiu dos Liberal Democratas, que recorreram ao procedimento parlamentar conhecido como humble address para exigir que o governo trabalhista tornasse públicos todos os documentos ligados à nomeação. O ministro do Comércio, Chris Bryant, declarou apoio à moção. “Deixe-me ser claro desde o início. Apoiamos esta moção”, afirmou. Segundo ele, o governo buscará liberar os documentos o mais rápido possível, desde que a medida não comprometa a investigação.
Bryant descreveu o ex-príncipe Andrew como “um homem em uma constante busca por autoengrandecimento e enriquecimento pessoal” e acrescentou que a divulgação é “o mínimo que devemos às vítimas dos horríveis abusos perpetrados por Jeffrey Epstein e outros”. Ele afirmou ainda que os abusos foram “permitidos, facilitados e apoiados por um amplo grupo de indivíduos arrogantes, privilegiados e, muitas vezes, muito ricos, neste país e em outros”.
No Parlamento, deputados de partidos de oposição criticaram a proteção tradicional conferida à família real. Pelo menos quatro parlamentares defenderam o fim da convenção que impede menções diretas a seus integrantes. “Essas regras arcaicas ridicularizam nossa democracia”, declarou Brendan O’Hara, do Partido Nacional Escocês. “Ninguém, independentemente de posição ou privilégio, deve estar acima da lei”, acrescentou.

“Mancha” no Reino Unido
O presidente da Câmara autorizou que o ex-príncipe Andrew fosse citado em plenário por já não integrar a família real, após ter sido destituído de seus títulos. O líder liberal-democrata Ed Davey afirmou que as ligações de Andrew e do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com Epstein representam uma “mancha” no Reino Unido. “Precisamos começar a limpar essa mancha com o desinfetante da transparência”, declarou.
Mandelson foi preso sob suspeita de negligência no cumprimento do dever durante o período em que chefiou o Departamento da Indústria no governo trabalhista, de 2008 a 2010, e foi posteriormente libertado sob fiança. Assim como Andrew, seus laços com Epstein eram conhecidos.
A possível publicação dos documentos pode constranger integrantes do governo do então primeiro-ministro Tony Blair, período em que o ex-príncipe foi nomeado, além de membros da família real. O episódio é apontado como a mais grave crise enfrentada pela monarquia britânica em nove décadas.
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