segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Superfederação

União Progressista sai do quase para o tudo ou nada às vésperas de aval do TSE

Depois de meses patinando, federação entre União Brasil e PP volta ao jogo e pode ser homologada nos próximos dias, mas já nasce sob teste de sobrevivência política

Bruno Goulartpor em
União Progressista sai do quase para o tudo ou nada às vésperas de aval do TSE
Ciro Nogueira e Antônio Rueda estão à frente das negociações para concluir a federação entre os partidos. Foto: Sidney Lins Jr./UB

Bruno Goulart

O que parecia ter derretido nos bastidores de Brasília reapareceu com força. A federação entre União Brasil e Progressistas, a chamada União Progressista, voltou à mesa e agora deve sair do papel. Segundo interlocutores próximos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), o pedido de registro já foi protocolado e falta apenas a chancela do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A homologação pode ocorrer ainda nesta semana ou na próxima.

O movimento surpreende porque, há poucas semanas, o clima era de enterro antecipado. Divergências regionais, projetos presidenciais cruzados e disputas locais colocaram em xeque a viabilidade do casamento partidário.

A federação foi anunciada com pompa no ano passado, em Brasília, como um passo para criar a maior força de centro no Congresso. No entanto, a equação nunca foi simples. No Nordeste, parte das lideranças mantém diálogo com o PT. Em outros Estados, o alinhamento é mais à direita. O que une no papel, separa na prática.

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Mesmo assim, a cúpula resiste à pressão interna. A avaliação é que recuar agora seria admitir fragilidade política. O problema é que há relatos de parlamentares dispostos a deixar o partido caso a federação se concretize.

“Quem se sentir prejudicado, procure outro partido”

Para o deputado federal José Nelto (União Brasil), a turbulência é parte do processo. “A federação está consolidada. Tem alguns arranhões a depender de Estados, mas é normal. Quem se sentir prejudicado, procure outro partido. É um perde e ganha”, afirmou ao O HOJE.

Nelto indica que a solução para evitar implosões regionais pode ser a flexibilização de alianças. “A federação vai liberar, pelo que estou sentindo, para as regionais apoiarem livremente quem quiser.” Em Goiás, projeta: “Queremos eleger até seis parlamentares”. Formaliza-se em Brasília, mas a política real segue descentralizada.

Na análise do cientista político Lehninger Mota, o projeto sempre foi estruturalmente complexo. “São dois partidos de centro com comportamentos distintos nos Estados. No Nordeste, há alinhamento maior com o PT. Em outras regiões, o alinhamento é mais à direita. Nunca foi algo simples”, explica.

O desafio se agrava quando se olha para 2026. Em Goiás, lideranças do União Brasil e do PP orbitam o governador Ronaldo Caiado, agora no PSD. Mas, nacionalmente, a federação pode ser pressionada a compor palanques distintos. “Se Caiado for candidato a presidente, como ficaria a equação em Estados onde há alinhamento com Lula?”, questiona o mestre em História e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé. Ou seja: a federação pode nascer grande no papel e fragmentada na prática.

Especulações e pragmatismo

Nos bastidores, ainda circula a informação de que a federação poderia indicar vice na chapa do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nomes como Ciro Nogueira, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o governador Romeu Zema (Novo-MG) aparecem nas especulações.

O sociólogo Jones Matos, porém, minimiza. Avalia que poucos desses nomes agregariam votos à Flávio, com exceção de Zema, que governa o segundo maior colégio eleitoral do País. O cálculo, segundo Matos, será pragmático e regional.

No fim das contas, a União Progressista pode até receber o carimbo do TSE nos próximos dias. Mas a homologação jurídica não garante coesão política. A federação que quase morreu antes de nascer agora precisa provar que é mais do que um acordo de cúpula. E que consegue sobreviver às próprias contradições. (Especial para O HOJE)

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Antônio Rueda Ciro Nogueira federação José Nelto união progressista

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