sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Julgamento de Marielle

Moraes afirma que irmãos Brazão foram mandantes do assassinato de Marielle

Durante o segundo dia do julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, a mãe da vereadora, Marinete da Silva, passou mal ao acompanhar o voto do relator Alexandre de Moraes

Paula Costapor em
Marielle
Relator do caso, Alexandre de Moraes considerou que provas confirmam participação dos acusados. Ainda votam Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Crédito: STF.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (25) para condenar os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro. A mãe da vereadora, Marinete da Silva, passou mal no plenário da Primeira Turma e precisou ser atendida por socorristas, após acompanhar a sessão presidida por Moraes, relator do processo. O episódio ocorreu enquanto a Corte analisava um dos casos mais emblemáticos da história recente da política brasileira, marcado por denúncias de envolvimento de milícias e motivação política.

Marinete deixou o plenário por volta das 10h, acompanhada da filha, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, visivelmente abalada. Ela foi encaminhada a uma sala de apoio, onde recebeu atendimento médico. A suspeita inicial foi de pico de pressão. A família solicitou privacidade e pediu que não fossem feitos registros do momento. Cerca de 20 minutos depois, os familiares retornaram à sessão.

O julgamento foi retomado pela Primeira Turma com a continuidade do voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Logo no início, o magistrado rejeitou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas, que buscavam anular o processo por supostos vícios técnicos. “Desde logo, afasto as preliminares de incompetência do STF, de inépcia da inicial, de inexistência de justa causa e de nulidade da colaboração premiada”, afirmou.

Ao longo do voto, Moraes reforçou que o assassinato de Marielle teve motivação política associada a práticas típicas de milícias, incluindo ações para eliminar adversários e garantir o controle territorial e eleitoral. Segundo o ministro, o crime foi marcado por misoginia, racismo e intolerância. “Se juntou a questão política com misoginia, racismo e discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que enfrentava os interesses dos milicianos. Na cabeça misógina dos executores, quem iria ligar para isso?”, declarou.

O relator também destacou que os envolvidos não imaginavam a repercussão nacional e internacional do crime. “Eles acreditavam que não haveria consequências. Não esperavam tamanha repercussão, que acabou revelando uma série de execuções”, completou.

Moraes reforçou ainda a tese de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República se sustentaria apenas na delação premiada de Ronnie Lessa, apontado como executor. Segundo ele, as informações foram confirmadas por testemunhos e provas técnicas produzidas principalmente pela Polícia Federal. “Os dados da colaboração foram corroborados por provas técnicas e testemunhais. As evidências são coerentes, especialmente sobre a promessa de terreno como pagamento e a posição de comando”, explicou.

De acordo com o ministro, a investigação revelou que o crime teve como objetivo afastar Marielle da cena política e preservar os interesses econômicos ligados ao loteamento clandestino em áreas dominadas por milícias. “A motivação era eliminar a oposição e manter os negócios. Parte da área seria dada como pagamento. Há conexão direta entre o crime, a forma de remuneração e a influência política dos irmãos Brazão”, afirmou.

No voto, Moraes sustentou que os irmãos Brazão e Robson Fonseca integravam uma organização criminosa estruturada, voltada à obtenção de lucro, à lavagem de dinheiro e à formação de redutos eleitorais. “Não se tratava apenas de enriquecimento ilícito, mas de afastar adversários e garantir a perpetuação do poder por meio da violência”, destacou.

O relator classificou as provas como “harmônicas e convergentes” e afirmou que não há dúvida razoável sobre a relação dos réus com atividades milicianas no Rio de Janeiro. “Eles não tinham apenas contato com milícias. Eles eram a milícia”, declarou.

Após a conclusão do voto de Alexandre de Moraes, o julgamento segue com as manifestações dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e do presidente da Primeira Turma, Flávio Dino. A expectativa é de que a análise do caso avance nos próximos dias, em um processo que simboliza a cobrança por justiça, responsabilização política e combate ao crime organizado no país.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Alexandre de Moraes Marielle Franco Supremo Tribunal Federal (STF)

Veja também

Moraes autoriza Jair Bolsonaro a receber dez convidados no aniversário de 16 anos da filha

Autorização

Moraes autoriza Jair Bolsonaro a receber dez convidados no aniversário de 16 anos da filha

Ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, poderá realizar almoço familiar neste domingo (18), ...
Flávio tem 79% contra 23% de Lula nas apostas do Polymarket

APOSTAS

Flávio tem 79% contra 23% de Lula nas apostas do Polymarket

Cotação do mercado de previsão mudou ao longo da semana. Plataforma é proibida no Brasil, mas se...
Celina Leão

ELEIÇÕES 2026

Celina Leão anuncia ato pelo Fundo Constitucional do DF

Durante encontro com representantes do agronegócio, nesta sexta-feira (16), candidata à reeleiçã...
Congresso promulga fim da escala 6×1 e jornada 5×2 começará em 60 dias

Redução da jornada de trabalho

Congresso promulga fim da escala 6×1 e jornada 5×2 começará em 60 dias

Nova regra garante duas folgas semanais e reduz a jornada de 44 para 40 horas, sem corte salarial, e...
Mabel critica Aava após decisão sobre Taxa do Lixo em Goiânia

TAXA DO LIXO

Mabel critica Aava após decisão sobre Taxa do Lixo em Goiânia

Prefeito afirma que decisão envolvendo a fórmula de cálculo pode elevar cobrança em até quatro ...
TSE dá 48 horas para Meta explicar suposta restrição a conteúdo da campanha de Lula

suspensão

TSE suspende propaganda de Lula que associava Flávio Bolsonaro a milícias

Ministro André Mendonça apontou uso irregular de personagens gerados por inteligência artificial ...
Celina cobra Grass sobre Fundo Constitucional do DF e anuncia mobilização contra mudanças

POLÍTICA

Celina cobra Grass sobre Fundo Constitucional do DF e anuncia mobilização contra mudanças

Candidata à reeleição quer posicionamento do adversário sobre alterações nas regras do FCDF e ...
Em café com apoiadores, Celina reforça combate à desinformação no 2º turno no DF

POLÍTICA

Em café com apoiadores, Celina reforça combate à desinformação no 2º turno no DF

Candidata à reeleição defendeu divulgação das ações do governo e afirmou que redes sociais de...