Prefeito diz que “1º ano foi para organizar a casa e preparar Terezópolis para os próximos anos”
Com apenas 26 anos, prefeito mais jovem de Goiás afirma que assumiu município sem transição, com dívidas milionárias, anuncia pacote de obras e aposta em fortalecimento logístico e industrial da cidade às margens da BR-153
Bruno Goulart
O prefeito de Terezópolis de Goiás, Fhelipe do Bill (PP), afirmou que os primeiros 14 meses de gestão foram marcados por ajustes fiscais, reorganização administrativa e enfrentamento de dívidas herdadas. Aos 26 anos, o gestor municipal mais jovem de Goiás foi o entrevistado do programa Momento Político, do Grupo O HOJE, e fez um balanço do mandato, comentou a conjuntura estadual e avaliou os impactos da Reforma Tributária nos municípios.
Eleito em 2024 ao derrotar o então prefeito Uilton Pereira dos Santos (Podemos), Bill administra uma cidade de cerca de 8 mil habitantes, localizada entre Goiânia e Anápolis, às margens da BR-153. Segundo o gestor municipal, a arrecadação mensal gira em torno de R$ 3 milhões, o que torna o município dependente de emendas parlamentares.
Logo no início da entrevista, o prefeito relatou as dificuldades encontradas ao assumir o cargo. “Nós assumimos sem transição de governo. Não tivemos acesso às informações básicas. As dívidas foram aparecendo aos poucos”, afirmou. De acordo com Bill, no primeiro mês de gestão, a principal parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foi praticamente zerada por bloqueios judiciais.
“Quando a gente esperava a maior parcela do FPM, caiu R$ 1 mil na conta do município. Foi bloqueado por dívidas da gestão anterior”, declarou. Além disso, segundo o prefeito, havia débitos com INSS, precatórios e outras obrigações que somam quase R$ 3 milhões, valor equivalente a um mês inteiro de arrecadação.
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Diante desse cenário, Bill explicou que o primeiro ano foi dedicado a “organizar a casa”. Segundo o prefeito, o foco foi estruturar as finanças, planejar investimentos e preparar a cidade para um novo ciclo de crescimento. “Falamos sempre com a população que esse é o momento de organizar, planejar e preparar Terezópolis para os próximos anos”, disse.
Investimentos

Apesar das dificuldades iniciais, o prefeito anunciou que o município começa agora uma fase de investimentos. No fim do ano passado, a gestão lançou um programa que prevê cerca de R$ 5 a R$ 6 milhões em obras e benefícios. Entre as ações já iniciadas estão a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) e a futura iluminação do estádio municipal, demanda antiga da comunidade esportiva. “Era uma promessa de décadas. Agora vamos entregar”, garantiu.
Na área da saúde, Bill destacou a criação de um Centro de Especialidades Médicas e Diagnósticos, que atualmente funciona de forma improvisada em uma UBS, mas com prédio próprio em fase final de construção. Segundo o prefeito, o espaço conta com 14 especialistas e oferta de exames laboratoriais. O chefe do Executivo municipal afirmou que o município entrega todos os medicamentos exigidos por lei aos pacientes do SUS.
Por outro lado, ao comentar a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Bill fez críticas à condução do governo federal. “Eu concordo que tinha que isentar o Imposto de Renda do trabalhador. Mas o governo federal precisa indicar a fonte de compensação para os municípios”, avaliou.
Segundo o prefeito, a redução de arrecadação pode comprometer serviços. “Se a arrecadação diminui, é igual na nossa casa: se o salário cai, a gente precisa cortar alguma coisa”, comparou, ao ressaltar que medidas sem contrapartida dificultam o planejamento das prefeituras.
Potenciais
Em relação ao desenvolvimento econômico, o prefeito aposta na localização estratégica do município. “Estamos numa posição privilegiada, às margens da BR-153, entre Goiânia e Anápolis”, afirmou. A gestão prepara um projeto de lei de incentivo para atrair empresas e estruturar um distrito industrial voltado inicialmente a pequenas e médias empresas. Segundo Bill, há interesse de empresários do setor logístico. “Terezópolis é muito propícia para logística. Já temos empresários nos procurando”, destacou.
Além do setor industrial, Bill citou o crescimento imobiliário, com condomínios fechados como o Aldeia Santerê e a Ecovilla, além da consolidação do comércio às margens da rodovia. A prefeitura também assumiu a responsabilidade de concluir um outlet gastronômico iniciado na gestão anterior. “Tem recurso público ali. Nós temos o dever de fazer aquilo virar realidade e impulsionar a economia local.”
Daniel governador
Por fim, ao falar das eleições de 2026, o prefeito declarou apoio ao vice-governador Daniel Vilela (MDB). “A dúvida é se ele ganha no primeiro ou no segundo turno. Que será eleito, nós não temos dúvida”, disse, ao atribuir o citado favoritismo à alta aprovação do governador Ronaldo Caiado (PSD).
Para o Senado, Bill citou nomes como Alexandre Baldy (PP) e Vanderlan Cardoso (PSD), mas afirmou que considera Baldy como favorito para uma das vagas. Quanto ao possível vice na chapa estadual, mencionou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, e o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, como opções viáveis. (Especial para O HOJE)