O Hoje, O Melhor Conteúdo Online e Impresso, Notícias, Goiânia, Goiás Brasil e do Mundo - Skip to main content

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Avanço

Criança retirada da mãe é encontrada em Goiânia após trabalho de inteligência policial

Tecnologia e atuação das autoridades ampliam chances de localizar pessoas desaparecidas em Goiás

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 27 de fevereiro de 2026
Crianças
Foto: Divulgação/PCGO

Depois de dois anos marcados por angústia, incerteza e uma longa batalha judicial, uma mãe finalmente reencontrou o filho de 9 anos, que havia sido sequestrado pelo próprio pai e levado de São Paulo para Goiás. 

A criança foi localizada em uma pousada em Goiânia após um trabalho conjunto entre a Polícia Civil de Araçatuba (SP) e a Polícia Civil de Goiás. O investigado foi preso preventivamente e responderá por sequestro e cárcere privado qualificado.

O caso teve início após a separação dos pais. Embora a Justiça tivesse determinado a guarda compartilhada, o pai começou a atrasar a devolução da criança até desaparecer completamente com o menino. A partir daquele momento, a mãe iniciou uma verdadeira saga em busca do filho. 

Ela tentou resolver a situação judicialmente, contratou advogado e buscou informações por conta própria, mas o paradeiro do ex-companheiro permaneceu desconhecido por meses.

Somente após registrar boletim de ocorrência por sequestro, a Polícia Civil passou a atuar diretamente no caso. As investigações apontaram que o suspeito vivia como um “fantasma”, sem endereço fixo e sem emprego formal.

Ele mudava constantemente de pousadas, evitando qualquer rastreamento. Além disso, manteve o menino fora da escola e sem atendimento de saúde, justamente para não deixar registros oficiais que pudessem indicar sua localização.

A partir do trabalho de inteligência e cruzamento de dados, as equipes identificaram possíveis endereços em Goiânia e Anápolis. Com autorização judicial, policiais viajaram para Goiás e, na mesma noite, confirmaram a presença do investigado com a criança em uma pousada da Capital. 

A mãe acompanhou as buscas, conforme autorização judicial, para minimizar o impacto emocional no momento do resgate. O menino foi encontrado em boas condições de saúde e imediatamente entregue à genitora, encerrando dois anos de sofrimento.

Desaparecimentos no Brasil: números que preocupam

Apesar de alguns desfechos positivos, o cenário nacional ainda impõe grandes desafios. O Brasil registrou 84.760 desaparecimentos em 2025, segundo dados da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. Isso representa uma média de 232 casos por dia. Goiás aparece com 3.631 pessoas desaparecidas, ocupando a oitava posição no ranking nacional.

Os números revelam um problema estrutural. Mais de 59 mil desaparecidos são adultos, mas quase 24 mil casos envolvem crianças e adolescentes. As causas variam: conflitos familiares, violência doméstica, disputas de guarda, problemas de saúde mental, dependência química e até crimes organizados.

Além disso, muitos casos enfrentam dificuldades iniciais na comunicação. A demora no registro do boletim de ocorrência pode comprometer as primeiras horas de busca, consideradas fundamentais para a localização rápida. Por isso, campanhas de conscientização têm reforçado que não é necessário esperar 24 horas para comunicar um desaparecimento.

Diante desse cenário, as forças de segurança investem em delegacias especializadas, integração de dados nacionais e cooperação entre Estados. A troca de informações em tempo real aumenta as chances de sucesso e evita que desaparecimentos se prolonguem por anos.

Mãe e filha se reencontram após 40 anos com ajuda da polícia de Goiás

O resgate do menino em Goiânia reforça que a atuação policial vai além da repressão ao crime: também promove reencontros que transformam vidas. Em outro caso emblemático, uma mulher de 41 anos conseguiu localizar a mãe biológica após quatro décadas sem contato. O reencontro ocorreu na sede do Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID), em Goiânia, e emocionou investigadores e familiares.

A filha, Ludimila Gomes Duarte, decidiu procurar a polícia em 2025 para descobrir suas origens. Registrada com o nome da mãe biológica, ela tinha poucas informações sobre o passado. A Polícia Civil iniciou diligências, cruzou registros civis, consultou bancos de dados e analisou vínculos familiares até chegar à provável genitora, Maria Luiza Gomes Soares.

Maria havia entregue a filha recém-nascida para adoção por dificuldades financeiras e por ser muito jovem na época. Depois disso, mudou-se para outro Estado e perdeu contato com a família. O reencontro só foi possível graças ao trabalho técnico da polícia, que localizou a provável mãe e organizou o encontro na delegacia. Embora o exame de DNA ainda fosse necessário para confirmação definitiva, o momento simbolizou a reconstrução de uma história interrompida por 40 anos.

Casos como esse demonstram que o trabalho investigativo não se limita à repressão criminal. Ele também atua na reconstrução de vínculos familiares e no resgate da identidade de pessoas que viveram décadas sem respostas.

IA Contra o Crime como aliada na busca por criança desaparecidas e criminosos

Para enfrentar esse desafio, Goiás passou a investir fortemente em inovação tecnológica. Em 2026, o Estado implementou o sistema “IA Contra o Crime”, uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de cruzar dados em tempo real e gerar alertas rápidos para as forças de segurança.

O sistema integra câmeras inteligentes espalhadas pelo Estado, boletins de ocorrência, registros operacionais e processos criminais. A partir de informações simples, como cor de roupa, características físicas ou tipo de veículo, a ferramenta consegue rastrear imagens e identificar deslocamentos em poucos minutos.

Embora a tecnologia tenha sido desenvolvida principalmente para combater roubos, homicídios e capturar foragidos, ela também pode auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. Ao cruzar registros de movimentação, hospedagem, imagens de câmeras e dados públicos, a plataforma reduz o tempo de resposta e amplia a capacidade investigativa.

Nos primeiros meses de uso, Goiás registrou aumento significativo na captura de criminosos e na recuperação de veículos roubados. Especialistas destacam que o uso da inteligência artificial marca uma transição da segurança pública reativa para um modelo mais preventivo e preditivo.

Ainda assim, o avanço tecnológico exige debate sobre privacidade e proteção de dados. Autoridades defendem que o uso da ferramenta segue critérios legais e controle institucional rigoroso.

Em meio a estatísticas preocupantes, tecnologia, investigação qualificada e cooperação entre Estados podem devolver esperança a famílias que aguardam respostas.

Leia mais: Aviação agrícola atinge 2.866 aeronaves com papel estratégico no agro

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também