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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
taxação

Novos impostos do governo federal impactam industrialização goiana

Agroindústria, indústria alimentícia, farmacêutica, mineração e tecnologia são alguns dos setores goianos mais afetados pelos novos impostos

João Césarpor João César em 27 de fevereiro de 2026
Impostos
Mais de 1 mil produtos diferentes serão abrangidos por esses novos impostos - Foto: Divulgação/Porto de Santos

No início de fevereiro, o governo Lula aumentou o imposto de importação sobre mais de 1 mil produtos diferentes, entre eles smartphones, máquinas industriais (bens de capital) e equipamentos de informática e telecomunicações. As mudanças constam na resolução do Comitê-Executivo de Gestão – Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, e abrange 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, que entrarão em vigor a partir de fevereiro e março deste ano.


A justificativa do Ministério da Fazenda é tentar conter o avanço das importações e proteger a indústria nacional. De acordo com a pasta, as compras externas de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022, além disso, esses produtos importados superaram os 45% no consumo nacional, em dezembro do ano passado.


Ainda de acordo com a nota, os produtos importados representam cerca de 45% do consumo de máquinas e equipamentos no País e 50% dos bens de informática e telecomunicações. Para uma economia como a do Brasil, depender tanto de produtos importados pode ser perigoso e, na avaliação do governo, a recomposição tarifária tem o potencial de auxiliar no “reequilibrar preços relativos” entre mercadorias produzidas no País e as importadas.

 

Antes dessa decisão, grande parte desses produtos entravam no País com impostos muito baixos ou até com alíquota zero. Em algumas situações, máquinas e equipamentos tinham taxa de 0% ou inferior a 7%, o que barateava a importação e ampliava a competitividade dos fornecedores estrangeiros frente à indústria nacional.

 

Com a alteração, a nova estrutura tarifária concentra as alíquotas em patamares próximos de 7%, 12,6% e 20%. Essa mudança substitui o modelo anterior, que apresentava grande número de itens com imposto zerado ou alíquotas reduzidas.


A decisão do Comitê-Executivo de Gestão – Gecex gerou repercussão entre associações de tecnologia. Em nota publicada pela a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), conjuntamente com outras três associações da área, repudiou essas novas taxas. “Enquanto a Nova Indústria Brasil (NIB) e o REDATA avançam no sentido de fortalecer infraestrutura crítica, digitalização produtiva e adensamento tecnológico, o realinhamento tarifário desconsidera o caráter estratégico da computação para a soberania nacional. Ao insistir em instrumentos da era industrial analógica, o Brasil fragiliza seu futuro digital e fica para trás no jogo global, onde a concorrência vem de outros países que tomando medidas para atrair investimentos e fortalecer sua indústria e infraestrutura digital”, ressaltou. 

Impacto dos impostos em Goiás

Para Goiás, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), avalia que a resolução do Gecex trará impactos relevantes para a indústria goiana. “Para Goiás, que possui cadeias industriais integradas ao mercado internacional, o efeito pode ser aumento de custo, pressão sobre margens e revisão de planos de expansão. Força revisão de custos de projetos de CAPEX (dinheiro colocado no ativo” (planta, máquina, TI, infraestrutura), diferente de gasto do dia a dia), orçamento de manutenção e reposição”, explica Juliana Tormin, gerente de internacionalização da Fieg. 

 

Ainda nesse sentido, setores estratégicos para a economia goiana como agroindústria, alimentos, mineração e farmacêutico, utilizam equipamentos com tecnologia que entraram nessas novas taxas, e muitas vezes sem produção nacional equivalente. Com isso, a produtividade pode ser impactada, por falta de investimento em novas tecnologias, que também pode recair na competitividade. 

 

Juliana aponta que os segmentos potencialmente mais impactados em Goiás são: Agroindústria; Indústria alimentícia; Farmacêutica; Mineração; Metal-mecânico; Tecnologia e eletroeletrônicos Automotivo.


A gerente de internacionalização comenta que a federação reconhece a prerrogativa do governo de utilizar o Imposto de Importação como instrumento de política industrial e fiscal. No entanto, reforça que o crescimento sustentável depende de uma indústria competitiva, moderna e inserida nas cadeias globais.

 

“Sem instrumentos de mitigação, a elevação das alíquotas pode pressionar custos. Com políticas complementares e uso adequado das exceções tarifárias, é possível reduzir impactos e preservar investimentos produtivos”, finaliza.

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