Ana Paula Resende estabelece modelo de vice para Daniel e Marconi
Filha de Iris, que foi convidada a compor todas as grandes chapas de Goiás, mostrou aos partidos o caminho para se adaptar às necessidades políticas, geográficas e demográficas
O presidente estadual do MDB é o vice-governador Daniel Vilela, filho do ex-governador, ex-senador e ex-prefeito Maguito Vilela. Sua vice no partido, até poucos dias atrás, era Ana Paula Resende, filha do ex-governador, ex-senador e ex-prefeito Iris Rezende. Para felicidade dos dois líderes mortos recentemente, os herdeiros se interessaram por política. E por muito pouco não vai se repetir em 2026 a chapa de 1994, só que com Vilela na cabeça e Rezende de vice.
Não foi por falta de esforço. Na semana passada, Daniel disse que tentou diariamente confirmar a presença de Ana Paula como sua vice. Ela preferiu ir com Wilder Morais (PL). E, mais que o coreto, bagunçou a praça inteira. Com isso, firmou o parâmetro para se integrar chapa como vice: é necessário se filiar a um partido forte, levar determinado grupo de eleitores e render bastantes postagens e views – no caso de Ana Paula, milhares de umas, milhões de outras.
Uma filiação do barulho
A última vez em que filiação repercutiu tanto foi quando o ex-governador Irapuan Costa Júnior e a ex-primeira-dama Lúcia Vânia deixaram o PDS para se unir a Iris no MDB. O resultado foi ótimo, pois o casal venceria em seguida eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado, Lúcia chegaria a ministra do Social de FHC, Irapuan integrou o Tribunal de Contas dos Municípios. No fim das respectivas carreiras públicas, ela foi secretária do Social no 1º governo de Ronaldo Caiado (2019-2021) e ele, secretário de Segurança Pública no governo interino de José Eliton (2018). Ou seja, compensou.
Está compensando também para Ana Paula e é nisso que os adversários de Wilder estão de olho. Agora, o companheiro de chapa do vice-governador Daniel Vilela e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) precisa mostrar rendimento nos campos político, eleitoral e das mídias sociais. Tudo, claro, dentro da lógica. Entrou para a história a disparidade entre Eliton e sua vice na tentativa de reeleição, Raquel Teixeira, que havia sido deputada federal e secretária estadual. É como se o Centro-Oeste de Nerópolis fosse campeão da Champions League (a Copa Libertadores da Europa) com o Real Madrid de vice.
O futuro do deputado federal Zacharias Calil
Um assessor disse a O HOJE que o número de ligações recebidas por Wilder, que já era imenso, está três vezes maior. O senador permanece com o costume de atender ele mesmo as ligações, sem sequer olhar na bina do celular quem está telefonando. Depois que lançou Ana Paula de vice e a possibilidade de filiar o deputado federal Zacharias Calil (de saída do União Brasil) para senador, ficou impossível até mesmo acompanhar no visor do celular o tanto de número chamando. Como o parlamentar não está atendendo, os amigos mais próximos tentam se valer com seus auxiliares, que informam da impossibilidade tempo/espaço.
Ana Paula havia sido convidada não apenas por Daniel. Marconi também tentou. Ela acolheu o pedido, foi cortês no memorial do pai, mas nada respondeu de conclusivo. Ao recusar as mesuras das três maiores chapas do Estado, passou à análise do futuro. E decidiu-se por Wilder. É o que os possíveis vices de PSDB e MDB devem ter em mente.
Critérios demográfico, geográfico e político
Os governadoriáveis precisam ocupar espaço-tempo, quem representa mais do ponto de vista demográfico (Ana Paula é de Goiânia, onde o pai foi prefeito por quatro mandatos e a mãe, a mais votada para deputada federal e primeira-dama pelos mesmos quatro períodos) e geográfico (seus pais tiveram atuação estadual em outros quatro mandatos do Iris (deputado estadual, senador e dois de governador) e dois da Íris (ambos na Câmara dos Deputados, além dos dois períodos em que esteve senadora durante licença de Maguito – a mãe de Ana foi suplente do pai de Daniel).
Feita a aliança Wilder-Ana Paula, sobreveio o baque: não se sabia a extensão dos ruídos de a filha de Iris/Íris sair do MDB e acompanhar Wilder contra o filho de Maguito. Porém, os que realmente passaram a vida cozinhando com Dona Íris e conversando com o Iris podem confirmar que a filha está onde eles estariam. Não ficariam bravos se ela acompanhasse Daniel, mesmo que Vilela e Rezende fossem água e óleo nos bastidores, mas não a perdoariam se a aliança tivesse sido com Marconi, que derrotou Iris para governador em 1998, 2010 e 2014.
Quem sai e quem está no páreo para ser vice de Daniel

O perfil de Ana Paula levado a rigor pelas outras chapas tirariam de cena, imediatamente, Adriano da Rocha Lima, o secretário-Geral do Governo de Goiás, comentado como provável vice de Daniel. É o cérebro da administração, mas não geraria um like a mais que os costumeiros do vice-governador, não conquistaria um voto a mais do que os esperados nem geraria os comentários e as surpresas, até por ser da família de Caiado. Seriam mais proveitosos alguns já afastados das discussões, como os ex-prefeitos Paulo do Vale (Rio Verde) e Pábio Mossoró (Valparaíso). Atualmente, ambos são secretários (Paulo, municipal de Governo; Pábio, estadual do Entorno de Brasília) e pré-candidatos a deputado. Vêm de duplos mandatos bem-sucedidos, fizeram os sucessores e suas cidades preenchem duplamente os critérios geográfico e demográfico, pois são de regiões muito populosas (Sudoeste e Entorno).
Porém, tanto Paulo do Vale quanto Pábio Mossoró e Adriano não foram tão lembrados quanto o ex-deputado federal José Mário Schreiner, que representa um setor na economia (é um dos maiores líderes do agro no Brasil, vice-presidente da CNA, a entidade nº 1 do campo no País) e comanda o sistema Faeg/Senar/Sebrae. Zé Mário é mais parente de Caiado que Adriano. Quando ele e o governador se conheceram, Pábio Mossoró não era sequer nascido. É colega de profissão (médico) de Paulo e mais ainda de Schreiner (são umbilicais como classistas rurais). Veio de Santa Catarina e, ainda adolescente, se estabeleceu em Mineiros, no Sudoeste. Preenche, portanto, as lacunas política, geográfica e demográfica. Para Wilder, ter Ana Paula na chapa é como contar com o carisma e a expertise de Iris Rezende. Para Daniel, ter Zé Mário de vice é como ser colega de chapa de Ronaldo Caiado. Cabe a Marconi arrumar alguém nesse padrão. (Especial para O HOJE)