Irã confirma morte de Khamenei e define líder supremo interino para conduzir sucessão
Nome escolhido terá papel central na escolha do sucessor definitivo e na condução da transição política em meio à escalada de tensão no Oriente Médio
A morte do aiatolá Ali Khamenei foi confirmada pelo governo do Irã e pela mídia estatal neste sábado (28). Ele comandou o país por quase quatro décadas. O gabinete do presidente Masoud Pezeshkian declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral. A confirmação foi divulgada inicialmente pela agência estatal Fars.
Em nota oficial, o governo iraniano informou: “É com profundo pesar e consternação que informamos que, após o ataque brutal do governo criminoso dos Estados Unidos e do regime abjeto sionista, o modelo de fé, luta e resistência, o líder supremo da Revolução Islâmica, sua eminência o grande aiatolá Ali Khamenei, alcançou a grande graça do martírio”.
Após a confirmação da morte, a Assembleia de Peritos e autoridades religiosas definiram a nomeação do aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino do Irã. Ele passa a conduzir o processo de escolha do sucessor definitivo e a liderar o país durante a transição política.

Conselho interino assume comando e reorganiza estrutura no Irã
Alireza Arafi integrava o Conselho dos Guardiães antes da nomeação e agora assume papel central no sistema político iraniano. Ele passa a atuar ao lado do presidente Masoud Pezeshkian e do chefe do Judiciário em um conselho temporário responsável por exercer as funções do líder supremo.
A Assembleia de Peritos, formada por 88 clérigos eleitos por voto direto a cada oito anos, é o órgão encarregado de escolher o novo líder definitivo e supervisionar sua atuação.
A Guarda Revolucionária Islâmica também anunciou mudanças em sua cúpula. Ahmad Vahidi assumiu o comando da força após a morte do antecessor nos mesmos ataques que atingiram a liderança iraniana. A Guarda tem atuação militar e política e opera de forma independente do Exército regular.
No cenário internacional, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou a morte de Khamenei como um “assassinato cínico” e uma violação do direito internacional. Já o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o episódio representa uma “declaração de guerra” e mencionou “vingança legítima” contra Estados Unidos e Israel. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as operações militares continuarão “pelo tempo que for necessário” para alcançar o que chamou de paz no Oriente Médio.
Ataques e protestos ampliam tensão na região
A escalada militar continuou após os ataques. O Catar informou que 16 civis ficaram feridos após uma ofensiva iraniana, com mais de 60 mísseis e dez drones interceptados pelas defesas aéreas. Em resposta, Israel realizou novos bombardeios em Teerã e em outras cidades iranianas.
Sete pontos foram atingidos, incluindo áreas próximas ao aeroporto da capital. Não há confirmação oficial sobre os alvos ou sobre a ligação com estruturas militares ou governamentais. Registros indicam que as explosões ocorreram em regiões próximas a hotéis e centros comerciais.
O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, afirmou que dois mísseis foram disparados em direção a Chipre, onde há presença de tropas britânicas.
Protestos também foram registrados em diferentes países. Em Karachi, no Paquistão, ao menos duas pessoas morreram durante manifestações após manifestantes tentarem invadir o consulado dos Estados Unidos. Equipes de resgate informaram que os corpos foram levados a hospitais depois de confrontos com forças de segurança, que usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
No Iraque, centenas de pessoas se concentraram nas proximidades da Zona Verde de Bagdá, onde fica a embaixada americana. Manifestantes arremessaram pedras contra policiais e tentaram romper barreiras de segurança. As forças locais responderam com gás para conter os atos.
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