Irã promete “vingança legítima” após morte de líder supremo
Presidente do Irã classifica morte de Khamenei como “declaração de guerra contra os muçulmanos” e promete retaliação
A morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, após um bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel na madrugada de sábado (28), elevou a tensão militar na região e desencadeou ameaças diretas de retaliação como “vingança legítima”. O ataque, realizado contra o complexo presidencial onde Khamenei estava, deixou 201 mortos e 747 feridos, segundo a imprensa iraniana.
A confirmação oficial ocorreu horas depois da ofensiva. A agência estatal Fars informou em seu canal no Telegram que “o líder supremo da Revolução foi martirizado”. Em nota, o gabinete do governo classificou o episódio como “crime” e anunciou 40 dias de luto nacional, além de sete dias de feriado geral. O texto afirma que o caso “marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo” e sustenta que os responsáveis “se arrependerão”.
Khamenei comandou o país por quase quatro décadas. Segundo a mídia estatal, ele foi morto em seu local de trabalho. O comunicado oficial também rebateu alegações de que o líder supremo viveria escondido por temor de assassinato, classificando tais informações como parte de “guerra psicológica do inimigo”.

No domingo (1º), o presidente Masoud Pezeshkian reagiu publicamente. Em pronunciamento, afirmou que o assassinato representa uma “declaração de guerra contra os muçulmanos” e defendeu a responsabilização os EUA e Israel. “O assassinato do grande comandante da comunidade islâmica é uma guerra aberta contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todas as partes do mundo. (…) A República Islâmica do Irã considera a vingança e a responsabilização dos autores e mandantes deste crime um dever e um direito legítimo”, declarou. Antes da fala, a agência estatal Isna informou que o presidente estava “saudável e em segurança”.
As Guardas Revolucionárias divulgaram comunicado afirmando que continuarão “poderosamente o caminho de seu guia para defender o precioso legado deste líder supremo”. No plano institucional, o Conselho de Discernimento do Interesse do Estado escolheu o aiatolá Alireza Arafi como líder supremo interino. A decisão foi anunciada pelo porta-voz Mohsen Dehnavi na rede X. Caberá a Arafi conduzir o processo de escolha do novo líder.

Escolha do novo líder supremo
O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à Al Jazeera que a definição poderá ocorrer “em um ou dois dias” e disse que as instituições do país seguem funcionando dentro dos “procedimentos constitucionais em vigor”. Ao comentar a morte de Khamenei, declarou: “É absolutamente sem precedentes e uma grave violação do direito internacional que um líder de outro país seja assassinado por forças estrangeiras”.
Araghchi afirmou ainda que o Irã está atacando bases militares norte-americanas na região. Disse que não há intenção, neste momento, de fechar o Estreito de Ormuz nem de fazer “nada que possa interromper a navegação nesta fase”.

Trump anuncia morte de Khamenei
Em Washington, o presidente Donald Trump declarou que Khamenei não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento norte-americanos em parceria com Israel. Em rede social, escreveu: “Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto”. Também afirmou que os bombardeios continuarão para alcançar “paz no Oriente Médio e no mundo”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano e anunciou que “milhares de alvos” ainda serão atingidos. Em apelo direto à população do Irã, afirmou: “Não percam a oportunidade. Esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração”.