Ato “Acorda, Brasil” transforma Paulista em palanque contra Lula e STF
Manifestação ocorreu em São Paulo e em ao menos outras oito capitais, como Brasília e Goiânia; discursos miraram petista e ministros do Supremo, com defesa de Bolsonaro e promessa de anistia aos condenados de 8 de janeiro
Bruno Goulart
A oposição ao presidente Lula da Silva (PT) realizou neste domingo (1º) o ato “Acorda, Brasil”, com mobilizações na Avenida Paulista, em São Paulo, e em pelo menos outras oito capitais, incluindo Brasília e Goiânia. A pauta foi a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado no processo que julgou os participantes do núcleo crucial da trama golpista, além de críticas ao governo federal e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Em São Paulo, o evento ocorreu na altura do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e reuniu lideranças políticas e religiosas da direita. O senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chegou acompanhado do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também cotado para disputar a presidência, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do pastor Silas Malafaia. De Goiás, participaram o governador Ronaldo Caiado, pré-candidato pelo PSD, o presidente goiano do PL e pré-candidato ao Governo do Estado, Wilder Morais, a pré-candidata a vice, Ana Paula Rezende (PL), e o deputado federal Gustavo Gayer (PL).
Discurso de Flávio
Coube a Flávio encerrar a sequência de falas com um discurso de forte tom político. O senador afirmou que “o silêncio não é mais uma opção” e elogiou Nikolas por ter “reacendido a vontade de lutar pelo País”. Em seguida, agradeceu a presença de Caiado e Zema, ao destacar que o ato “não é eleitoral”, apesar de reunir ao menos três pré-candidatos ao Planalto.
Leia mais: Moraes autoriza tratamento com estímulo elétrico craniano para Jair Bolsonaro
O senador defendeu o impeachment de ministros do STF que, segundo Flávio, aja ilegalmente. “Somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece porque ainda não temos maioria no Senado”, declarou. Ao mesmo tempo, ponderou que o Supremo é “fundamental para a democracia”, mas criticou o que chamou de uso político da Corte.
Além disso, Flávio reforçou que Bolsonaro “não está abandonado” e que suas bandeiras continuam mobilizando apoiadores.
Malafaia faz ataque direto a Moraes
Antes do filho 01 de Bolsonaro, Silas Malafaia fez o discurso mais contundente contra o Supremo. O pastor classificou como “imoral e ilegal” o inquérito das fake news e elevou o tom ao direcionar críticas pessoais ao ministro Alexandre de Moraes.
Malafaia citou um suposto contrato da esposa do ministro com o Banco Master e insinuou irregularidades. “A mulher de Alexandre de Moraes tem um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master. Isso é uma vergonha. O poder dele foi comprado”, afirmou no palco, sob aplausos. O pastor defendeu que o caso seja investigado, com convocação e quebra de sigilo, e acusou o STF de agir com parcialidade.
O líder religioso também criticou o PT por não ter assinado pedidos de abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) relacionados ao INSS e ao próprio Banco Master, ao afirmar que o partido teria protegido investigados.
Nikolas aposta no “Fora, Lula” e “Fora, Moraes”
Já Nikolas centrou sua fala no slogan “Fora, Lula”. O deputado criticou gastos do governo federal, ao mencionar recursos para Carnaval, Lei Rouanet e despesas do Judiciário. “Não falta dinheiro em Brasília, falta vergonha na cara”, disse.
O deputado federal mineiro também defendeu a redução de penas para presos do 8 de janeiro e afirmou que trabalhará para derrubar o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023), que foi aprovado pelo Congresso em 2025. Além disso, reforçou o coro de “Fora, Moraes”, ao argumentar que ministros devem agir “dentro dos limites constitucionais”.
Caiado promete anistia no primeiro dia
Caiado, por sua vez, afirmou que, caso a direita vença as eleições de 2026, o primeiro ato do novo presidente será conceder “anistia plena, geral e irrestrita” em 1º de janeiro de 2027. O governador de Goiás disse que Bolsonaro, mesmo sem mandato e preso, continua a mobilizar multidões como nenhum outro líder político.
Caiado também elogiou Nikolas e declarou que está alinhado com Flávio e Zema em torno de um objetivo comum para o País.
Zema fala em “intocáveis”
Já o governador de Minas disse estar “emocionado com a multidão” e criticou o que chamou de “farra dos intocáveis” em Brasília. Zema afirmou que “ninguém é intocável no Brasil” e defendeu a continuidade das mobilizações. (Especial para O HOJE)