Cunhado de Daniel Vorcaro também é preso pela PF em nova fase da operação sobre Banco Master
Fabiano Zettel se entrega à Polícia Federal em São Paulo; investigação autorizada pelo STF apura fraudes com títulos de crédito e bloqueio de bens que pode chegar a R$ 22 bilhões
A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (4), em São Paulo, o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assumiu recentemente a relatoria do caso. Além de Zettel, o próprio Vorcaro também foi alvo de prisão preventiva no âmbito da operação.
Zettel se apresentou espontaneamente na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, após ter seu nome incluído entre os investigados da nova etapa da ofensiva policial. Em nota, a defesa do empresário afirmou que ele ainda não teve acesso integral ao conteúdo das investigações, mas declarou que o cliente está “à inteira disposição das autoridades”.
De acordo com a Polícia Federal, a atual fase da operação busca aprofundar apurações sobre a possível atuação de uma organização criminosa envolvida em crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. As investigações apontam que o grupo teria estruturado um complexo esquema financeiro baseado na comercialização de títulos de crédito falsificados, com potencial impacto bilionário no sistema financeiro.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Fabiano Zettel ganhou notoriedade no meio empresarial e religioso. Pastor evangélico e empreendedor, ele também se destacou como grande financiador de campanhas eleitorais. Nas eleições de 2022, foi o maior doador individual das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com R$ 3 milhões, e do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), com R$ 2 milhões. Além da atuação religiosa, Zettel é conhecido por investimentos em redes de alimentação e em uma academia de alto padrão.
Esta não é a primeira vez que o empresário enfrenta medidas judiciais no âmbito da investigação. Em janeiro, ele já havia sido preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um voo comercial com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O banqueiro Daniel Vorcaro também havia sido detido anteriormente. Em novembro do ano passado, ele foi interceptado pelas autoridades ao tentar deixar o país em um avião particular que partiria de Guarulhos rumo à Europa. À época, a Polícia Federal avaliou que havia indícios claros de tentativa de fuga.
Nesta nova etapa da Operação Compliance Zero, o STF autorizou quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, além de medidas cautelares que incluem afastamento de funções públicas e o sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e preservar valores possivelmente associados às práticas ilícitas. As apurações contam com apoio técnico do Banco Central do Brasil.
O nome da operação faz referência à suposta ausência de mecanismos eficazes de controle interno nas instituições envolvidas, fator que, segundo os investigadores, teria facilitado crimes financeiros como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, que o empresário sempre colaborou com as autoridades e nega qualquer tentativa de obstrução das investigações. Os advogados também rejeitaram as acusações e disseram confiar que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade da conduta do banqueiro.
A prisão desta quarta-feira também interfere no cenário político e institucional em Brasília. Vorcaro era esperado para prestar depoimento na CPI do Crime Organizado, no Congresso Nacional, mas já havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Na terça-feira (3), o ministro André Mendonça decidiu que o comparecimento do banqueiro à CPI seria facultativo, o que ampliou a disputa política em torno das investigações que envolvem o Banco Master.