Desembargador aposentado Eudélcio Machado Fagundes morre aos 76 anos em Goiânia
Magistrado do Tribunal de Justiça de Goiás teve trajetória marcada pela superação
O desembargador aposentado Eudélcio Machado Fagundes morreu na madrugada desta quinta-feira (5), em Goiânia, aos 76 anos. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), que não divulgou a causa da morte.
Até o momento, não há informações sobre o velório e o sepultamento.
Natural da zona rural de Pilar de Goiás, Eudélcio construiu uma trajetória marcada pela superação até chegar ao cargo de desembargador. Antes de ingressar na magistratura, ele trabalhou como lavrador. Ao longo da carreira, atuou por 38 anos no serviço público e se aposentou em janeiro do ano passado.
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), ele foi aprovado no concurso para juiz do TJGO em 1987. No ano seguinte, em junho de 1988, assumiu a comarca de Araguacema, atualmente localizada no estado do Tocantins.
Durante a carreira na magistratura, também atuou nas comarcas de Uruana, Itapaci, Carmo do Rio Verde, Itapuranga, Niquelândia e Anápolis.
Em fevereiro de 2000, passou a atuar em Goiânia, onde trabalhou no 9º Juizado Especial Cível e na 7ª Vara Cível. Em 2011, foi promovido a juiz substituto em segundo grau.
Eudélcio Machado Fagundes tomou posse como desembargador em agosto de 2021, substituindo Avelirdes Almeida Pinheiro de Lemos.
De lavrador a desembargador
Nascido na zona rural de Pilar de Goiás, Eudélcio Machado Fagundes cresceu em uma família de agricultores e, até os 19 anos, tinha concluído apenas o antigo ensino primário.
Filho de Benedito Machado Fagundes e Reguzina Batista Pitaluga, ele viveu a infância ajudando os pais na pequena propriedade rural da família. Ao lado de sete irmãos mais velhos, trabalhou na lavoura desde cedo.
Leia mais: TJGO abre inscrições para a 2ª edição do Casamento Comunitário LGBTQIAPN+
Em entrevista concedida à Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego), em 2017, o magistrado relembrou que aprendeu a ler e escrever com a própria mãe.
Segundo ele, a mãe conciliava o trabalho em casa e na roça com aulas gratuitas para crianças da região, já que não havia escola na área rural onde viviam.
“Apesar das dificuldades comuns a uma família com poucos recursos financeiros, desde cedo aprendi o valor do estudo. Isso graças ao exemplo de minha mãe, que conciliava seus afazeres em casa e na roça com as aulas que ministrava gratuitamente para crianças da região para não deixá-los analfabetos”, afirmou na ocasião.
Trajetória na educação e no serviço público
Depois de trabalhar na lavoura dos 12 aos 19 anos, Eudélcio teve um intervalo na educação formal. Ele só retomou os estudos quando foi aberto um colégio em Hidrolina, cidade próxima, onde cursou o antigo ginásio.
Nesse período, conheceu um juiz da cidade que se tornou uma referência para sua vida profissional: João Batista da Silva Neto.
Inspirado pela carreira na magistratura, em 1972 ele se mudou para Goiânia, onde estudou no Colégio Pedro Gomes. Um ano depois, concluiu o ensino médio por meio do supletivo.
Em 1974, foi aprovado em concurso público para a Caixego, onde começou a trabalhar em maio daquele ano. Paralelamente, prestou vestibular para o curso de Direito com o objetivo de seguir carreira na magistratura.
Eudélcio cursou Direito na então Universidade Católica de Goiás, atual PUC-GO. Durante esse período, conciliava os estudos com o trabalho na Caixego, onde atuava durante a madrugada.
Após concluir a graduação, chegou a trabalhar como advogado antes de ingressar definitivamente na carreira da magistratura.
Carreira na magistratura
Após quatro tentativas em concursos públicos, Eudélcio foi aprovado em 1987 para o cargo de juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.
No ano seguinte, assumiu a primeira comarca, em Araguacema, a cerca de 1.050 quilômetros de Goiânia, hoje pertencente ao estado do Tocantins.
Posteriormente, atuou nas comarcas de Itapaci, Carmo do Rio Verde e Itapuranga. Em 1991 foi transferido para Niquelândia e, em 1992, para Anápolis, onde permaneceu por oito anos.
Em 2000, passou a atuar em Goiânia, primeiro no 9º Juizado Especial Cível. Depois, trabalhou por nove anos na 7ª Vara Cível. Em 2011, foi promovido a juiz substituto em segundo grau.
Ao longo da carreira, o magistrado destacou a importância da persistência e do estudo como caminho para alcançar objetivos profissionais.
“Todos têm oportunidade. Uns mais difíceis que os outros? Com certeza. Na magistratura não sou o primeiro que veio da roça. São muitos. Minha esposa, hoje odontóloga, veio de situação mais difícil que a minha. Que tenham persistência, coragem, ânimo e fé em Deus”, afirmou em entrevista à Asmego.