sábado, 10 de outubro de 2026
CPMI do INSS

Extratos de Lulinha revelam R$ 19,5 milhões em movimentações

Documentos enviados à CPMI do INSS mostram 1.531 transações entre 2022 e 2026 e transferências de R$ 721 mil feitas por Lula ao filho

Paula Costapor em
Quebra Sigilo
Quebra de sigilo aponta 1.531 operações bancárias em cinco anos e inclui repasses do presidente Lula ao filho. Crédito: Reprodução/ Rede Social.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu, na tarde de quarta-feira (5), extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os documentos, referentes ao período entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, apontam a realização de 1.531 operações financeiras que somam R$ 19,5 milhões em movimentações. O material integra a investigação parlamentar sobre possíveis irregularidades ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa do empresário nega qualquer vínculo com fraudes e afirma que todas as fontes de renda são “legais e legítimas”.

De acordo com os registros encaminhados à comissão, o montante movimentado reúne créditos e débitos, além de transferências internas entre contas do próprio investigado. No período analisado, foram registrados R$ 9,77 milhões em entradas e R$ 9,75 milhões em saídas.

A evolução anual das movimentações indica variações ao longo dos cinco anos. Em 2022, os valores chegaram a R$ 4,66 milhões. No ano seguinte, totalizaram R$ 4,01 milhões. Em 2024, houve o maior volume, com R$ 7,27 milhões. Já em 2025, as transações somaram R$ 3,37 milhões. Em 2026, até janeiro, o total registrado foi de R$ 205,4 mil.

Os extratos revelam que a principal origem dos créditos está ligada a resgates de fundos de investimento, responsáveis por R$ 4,4 milhões no período. Transferências entre contas do próprio empresário acrescentaram R$ 735,7 mil às entradas registradas.

Os documentos também apontam três transferências realizadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao filho, que juntas totalizam R$ 721 mil. A primeira ocorreu em 22 de julho de 2022, no valor de R$ 384 mil. Outras duas foram efetuadas em 27 de dezembro de 2023, nos montantes de R$ 92.463,90 e R$ 244.845,80. Ainda no mesmo dia das transferências realizadas pelo presidente, em dezembro de 2023, foi registrado o depósito de um cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto, atual diretor do Instituto Lula.

Empresas das quais Lulinha é sócio, juntamente com a esposa Renata de Abreu Moreira, também aparecem entre as fontes de recursos. A LLF Tech Participações transferiu R$ 2,375 milhões entre 2023 e 2026. A G4 Entretenimento repassou R$ 827.457,51 em operações realizadas entre 2022 e 2023. Já a LLF Participações, empresa extinta em 2010, aparece com movimentação de R$ 52.057,68 registrada em 2022.

Outras entradas, que somam aproximadamente R$ 1,2 milhão, estão associadas a produtos financeiros e operações bancárias, incluindo consórcios, previdência privada, seguros e transações classificadas como não identificadas. No lado das despesas, a maior parcela corresponde a transferências para outras contas do próprio investigado, que alcançam R$ 4,6 milhões no período analisado.

Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, foram identificadas 17 transferências destinadas a Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha, totalizando R$ 704 mil. Os valores individuais variam de R$ 1.500 a R$ 30,6 mil. Outro ex-parceiro empresarial, Kalil Bittar, recebeu R$ 750 mil em 15 operações registradas entre janeiro de 2024 e outubro de 2025. A maior parte desses repasses ocorreu em transferências próximas de R$ 50 mil.

Os registros também mostram oito depósitos em cartão pré-pago, que somam R$ 11,6 mil, realizados entre novembro de 2023 e janeiro de 2024. As demais movimentações incluem pagamento de boletos e transferências de menor valor destinadas a pessoas físicas.

Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva sustenta que não há qualquer relação entre as movimentações financeiras e as investigações da CPMI. Segundo os advogados, os recursos têm origem comprovada em atividades empresariais, aplicações financeiras e patrimônio herdado.

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