Sucessão estadual pode pesar na escolha do PSD para o Planalto
Enquanto o sucessor de Caiado aparece à frente em Goiás, aliados de Ratinho Jr. e Eduardo Leite enfrentam dificuldades em seus Estados, fator que pode influenciar decisão de Kassab sobre candidatura presidencial do partido
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, irá definir quem será o candidato da legenda na disputa pelo Palácio do Planalto no dia 15 de abril. O governador Ratinho Jr. (PSD-PR) é apontado como o favorito na disputa interna, mas o governador Ronaldo Caiado (PSD-GO) possui um trunfo em relação aos seus correligionários que pode pesar no momento da decisão.
Enquanto o sucessor de Caiado lidera a disputa pelo governo local, Ratinho e o governador Eduardo Leite (RS), o outro pré-candidato pessedista ao Planalto, correm o risco de verem seus grupos políticos sofrerem reveses na disputa pelos Executivos estaduais.
O vice-governador Daniel Vilela (MDB) tem liderado as pesquisas na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. O cenário favorável para o grupo chefiado por Caiado em Goiás não é o mesmo para Ratinho e Leite em seus respectivos Estados.
No Paraná, o governador ainda não definiu quem será o nome que representará a continuidade de sua gestão. Atualmente, três políticos estão entre os cotados para ter o apoio de Ratinho na disputa pelo Palácio Iguaçu: o secretário de Cidades, Guto Silva (PSD), o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (PSD).
O problema para o chefe do Executivo paranaense é que todos aparecem distantes do favorito na disputa pelo governo estadual, o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR). A primeira rodada da Paraná Pesquisas de 2026 mostrou o parlamentar na liderança em todos os cenários apresentados.
O levantamento estimulou três cenários, um com cada possível candidato de Ratinho. O que apresentou o melhor resultado foi Greca, que apareceu com 17,5% das intenções de voto. Neste mesmo cenário, Moro pontuou 37,8%, 20 pontos percentuais à frente.
Leite também encontra dificuldades em emplacar um aliado na disputa pelo Palácio Piratini. O vice-governador Gabriel Souza (MDB) deve assumir o Governo do Estado no dia 4 de abril, já que Eduardo afirmou, durante entrevista ao Metrópoles em fevereiro, que sua descompatibilização do cargo acontecerá na data-limite.
Porém, ao contrário do seu correligionário em Goiás, o vice-governador gaúcho encontra dificuldades em alavancar sua pré-candidatura ao governo estadual. Uma pesquisa da Futura Inteligência, contratada pela Apex Partners, estimulou diferentes cenários e o emedebista aparece atrás tanto de pré-candidatos da direita quanto da esquerda.
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O levantamento estimulou três cenários. Em seu melhor desempenho, Souza pontuou 6,4% e apareceu atrás do deputado Luciano Zucco (PL), na liderança, com 28,9%; de Juliana Brizola (PDT), com 20,9%; e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), Edegar Pretto (PT), que obteve 17,3%.
Assim como Caiado, Ratinho e Leite possuem gestões bem avaliadas. Na maioria das pesquisas, a aprovação do governador do Paraná fica na casa dos 80% e a do governador gaúcho em 60%. Além disso, os levantamentos mostram que ambos lideram nas corridas pelo Senado Federal.
Ratinho, inclusive, pode ver o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apoiar Moro na disputa pelo governo estadual caso prossiga com a pré-candidatura ao Planalto. A estratégia do parlamentar seria impulsionar o senador no Paraná para enfraquecer o grupo político de Ratinho, em resposta a uma candidatura do pessedista à presidência. Desde que recebeu o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio tenta aglutinar o campo conservador ao seu redor.
Fato é que o respaldo do eleitorado aos governadores sulistas não chegou aos aliados. Um recuo estratégico, que visa a perpetuação de seus respectivos grupos políticos no comando dos governos estaduais, alinhado a uma candidatura à Casa Alta, é um cenário especulado tanto por Ratinho quanto por Leite. Cenário que abriria caminho para uma candidatura de Caiado ao Planalto.