HIPÓTESE CIENTÍFICA

Estudo sugere indícios de que o universo pode funcionar como uma simulação

Pesquisa propõe nova lei física baseada na entropia da informação, mas hipótese ainda é considerada especulativa

Luma Silveirapor Luma Silveira em 7 de março de 2026
Estudo sugere indícios de que o universo pode funcionar como uma simulação
Crédito: Getty Images

Uma hipótese que por muito tempo esteve restrita à ficção científica voltou a ganhar espaço no debate acadêmico após um pesquisador sugerir possíveis indícios físicos de que o universo poderia funcionar como uma espécie de simulação computacional.

A proposta foi apresentada pelo físico Melvin Vopson, da Universidade de Portsmouth, que defende a existência de uma nova regra da física chamada Segunda Lei da Infodinâmica. A teoria parte da ideia de que a informação pode obedecer a princípios semelhantes aos observados em sistemas físicos.

Para explicar a hipótese, o pesquisador compara sua proposta à conhecida Segunda Lei da Termodinâmica. Esse princípio estabelece que a entropia — medida associada à desordem de um sistema — tende a aumentar ao longo do tempo em sistemas isolados.

Um exemplo comum é o de uma xícara de café quente deixada sobre uma mesa: com o tempo, o líquido esfria até atingir a temperatura do ambiente, processo em que a energia se dispersa e a entropia aumenta.

Entropia da informação do estudo

Segundo Vopson, quando o fenômeno é analisado em sistemas baseados em informação, o comportamento parece ser diferente. Em vez de aumentar continuamente, a chamada entropia da informação tenderia a permanecer estável ou até diminuir ao longo do tempo.

Essa conclusão foi discutida em artigo publicado na plataforma The Conversation. De acordo com o pesquisador, a redução da entropia da informação indicaria um processo de otimização de dados, algo típico de sistemas computacionais.

Em declarações divulgadas pelo portal EurekAlert!, Vopson e o pesquisador Serban Lepadatu afirmam que esse comportamento seria praticamente o oposto do observado na termodinâmica tradicional.

Para o cientista, se o universo realmente fosse uma simulação, o sistema responsável por executá-la precisaria utilizar mecanismos de compressão e otimização de dados para lidar com a enorme quantidade de informações presentes na realidade.

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Para investigar a hipótese de forma mais concreta, os pesquisadores analisaram sequências genéticas do SARS-CoV-2.

Estudo sugere indícios de que o universo pode funcionar como uma simulação
Crédito: Getty Images

Segundo o estudo, a entropia da informação no genoma do vírus teria diminuído ao longo de suas mutações. Esse comportamento poderia indicar um processo de organização informacional que favorece sequências geneticamente mais eficientes.

Na interpretação proposta por Vopson, as mutações poderiam seguir caminhos que reduzem complexidades desnecessárias na informação genética, funcionando de maneira semelhante a códigos que passam por processos de otimização.

Simetria na natureza

Outro elemento citado no estudo é a presença frequente de simetria em fenômenos naturais. Padrões simétricos podem ser observados em estruturas como flocos de neve, moléculas e organismos vivos.

Segundo os cálculos apresentados pelo pesquisador, estados altamente simétricos correspondem a níveis menores de entropia da informação, o que poderia indicar uma forma mais eficiente de organização dos dados dentro do sistema que compõe o universo.

Apesar das discussões geradas pela teoria, especialistas ressaltam que a hipótese de que o universo seja uma simulação continua altamente especulativa. Até o momento, não existem evidências experimentais capazes de confirmar de forma definitiva essa possibilidade.

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