AUTONOMIA FEMININA

Pesquisa aponta independência financeira como principal prioridade para mulheres no trabalho

O levantamento também revela que desigualdades, discriminação e episódios de violência psicológica ainda são frequentes no ambiente profissional

Luma Silveirapor Luma Silveira em 7 de março de 2026
Pesquisa aponta independência financeira como principal prioridade para mulheres no trabalho
Foto: Agência Brasil

A busca por independência financeira aparece como a principal prioridade para mulheres no mercado de trabalho, segundo a pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, divulgada neste sábado (7). O levantamento também revela que desigualdades, discriminação e episódios de violência psicológica ainda são frequentes no ambiente profissional.

Realizado pela Consultoria Maya com base no cadastro da plataforma de educação corporativa Koru, o estudo ouviu 180 mulheres de diferentes perfis etários e etnorraciais — com exceção de indígenas — para entender suas percepções sobre carreira e vida pessoal.

Entre as entrevistadas, 37,3% apontaram a independência financeira como principal objetivo. Em seguida aparecem saúde mental e física (31%) e realização profissional. Já ter um relacionamento amoroso não figura como prioridade para a maioria das participantes.

Pesquisa aponta independência financeira como principal prioridade para mulheres no trabalho
Foto: Agência Brasil

Segundo a diretora da Consultoria Maya, Paola Carvalho, a autonomia financeira vai além da capacidade de consumo e está ligada ao poder de decisão sobre a própria vida.

“Estamos falando de ter um salário, de ter rendimento, de ter poder de decisão, não é de poder de compra”, afirmou. “Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha.”

Apesar de buscarem maior autonomia, muitas mulheres ainda enfrentam barreiras culturais e estruturais no mercado de trabalho. Entre os relatos, 2,3% das entrevistadas disseram já ter sido preteridas em promoções, principalmente por causa da maternidade.

Uma das participantes relatou que mulheres com filhos costumam ser as últimas consideradas para cargos de maior responsabilidade. “Primeiro vêm os homens, depois mulheres sem filhos e, por último, mulheres com filhos”, afirmou.

Além disso, mais de sete em cada dez mulheres disseram ter enfrentado violência psicológica no ambiente profissional. Entre as situações citadas estão comentários sexistas, críticas à aparência, interrupções frequentes em reuniões, apropriação de ideias e questionamentos sobre a capacidade técnica.

Poucas mulheres no topo

A desigualdade também aparece na distribuição de cargos nas empresas. A maioria das participantes ocupa posições operacionais ou intermediárias, como coordenação e gerência. Apenas 5,6% chegaram a cargos de diretoria ou funções executivas de alto nível, conhecidos como C-level.

Para Paola Carvalho, o dado indica que a presença feminina diminui conforme as posições se tornam mais estratégicas dentro das organizações.

“A presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, revelando uma estrutura sexista por trás desse resultado”, avaliou.

A consultora defende que mudanças no ambiente corporativo dependem de comprometimento coletivo, envolvendo profissionais de todos os níveis hierárquicos. “É preciso ter um olhar diferente para essas questões. Isso parte de ações individuais e institucionais. Em 2026, ter esses resultados é chocante”, concluiu.

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