Mulheres que constroem o futuro: a presença feminina avança na engenharia civil
Mulheres conquistam espaço na engenharia civil e já são 20% das profissionais no Brasil
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia aponta que, dos cerca de 1,2 milhão de profissionais registrados no país, 20% são mulheres. Há quatro décadas, esse percentual era de apenas 4%. O avanço é expressivo e carrega histórias de coragem, competência e transformação.
Por muito tempo, o canteiro de obras foi visto como um território quase exclusivamente masculino. Hoje, felizmente, esse cenário começa a ganhar novos contornos. As mulheres não apenas ocupam mais espaço na construção civil, como também assumem cargos de liderança, gestão e responsabilidade técnica, mostrando que talento e capacidade não têm gênero.
Entre essas protagonistas está a engenheira civil Victória Cunha Fassioni, de 28 anos. Com seis anos de formada, ela integra o time da Sim Incorporadora e faz parte das mais de 240 mil engenheiras brasileiras que ajudam a redesenhar o perfil do setor.
À frente de sua primeira obra vertical, o 140 Wellness Marista, torre única com 22 pavimentos e 176 apartamentos, Victória lidera uma equipe de 85 colaboradores no setor Marista, em Goiânia. Entre eles, apenas cinco são mulheres. Ainda assim, a presença feminina ali é marcante.
“Costumo dizer que não fui eu quem escolhi a Engenharia Civil, mas sim a Engenharia Civil que me escolheu”, conta. Sem referências familiares na área, ela construiu sua trajetória com dedicação e paixão pelo que faz. Hoje, como engenheira residente, comanda equipes, toma decisões estratégicas e inspira outras mulheres a acreditarem no próprio potencial.

Ao seu lado está Rayka Briano, estagiária que cursa o sétimo período de Engenharia Civil. Em sua turma de 20 alunos, apenas três são mulheres, um reflexo de que ainda há caminho a percorrer. “Se olharmos o mercado, a quantidade de engenheiras gerenciando grandes obras ainda é pequena. Ter a Victória à frente da nossa obra é algo que inspira”, afirma.
O olhar das mulheres que transforma
Embora a competência técnica seja independente de gênero, Victória reconhece que, muitas vezes, o olhar feminino agrega novas perspectivas ao ambiente de trabalho. No canteiro do 140 Wellness Marista, a preocupação com a humanização do espaço é visível: há uma horta colaborativa, plantas cultivadas para trazer harmonia ao ambiente e áreas de convivência amplas e bem cuidadas.
“Esse olhar mais sensível pode influenciar na forma como conduzimos processos e priorizamos pessoas”, explica a engenheira.
Rayka concorda. Para ela, as mulheres costumam reunir atenção aos detalhes e visão ampla ao mesmo tempo. “Focamos nas etapas, mas sempre pensando no todo. Há um cuidado com as pessoas e com o ambiente que faz diferença”, destaca.
Competência que abre caminhos
Daiane Ferreira, administradora da obra, também faz parte dessa história de transformação. Com experiência anterior na área de tecnologia, outro setor majoritariamente masculino, ela acredita que o espaço das mulheres é conquistado diariamente por meio da competência e do profissionalismo.
“Para mim, sempre houve espaço. O que faz diferença é mostrar capacidade”, afirma. Segundo ela, a humanização no ambiente de trabalho muitas vezes nasce de um cuidado que tem raízes culturais e sociais, mas que hoje contribui para criar espaços mais respeitosos e acolhedores.
Na obra, pequenos gestos fazem grande diferença: flexibilidade, atenção às necessidades dos colaboradores e um ambiente onde homens e mulheres convivem com harmonia e respeito.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrar a presença feminina na engenharia civil é reconhecer não apenas números em crescimento, mas histórias reais de superação, liderança e transformação.
Cada mulher que ocupa um canteiro de obras, que assume a prancheta, que lidera uma equipe ou que está começando como estagiária, ajuda a construir muito mais do que prédios e estruturas: constrói novos caminhos, derruba barreiras e fortalece o futuro de toda a sociedade.
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