segunda-feira, 9 de março de 2026
OPINIÃO

Daniel Vilela deve usar juventude como ativo político

A política costuma tratar a juventude de duas formas distintas. Em alguns momentos, ela aparece como símbolo de renovação. Em outros, desperta desconfiança

Bruno Costapor Bruno Costa em 9 de março de 2026
WhatsApp Image 2026 03 08 at 19.07.11
Aos 42 anos, o emedebista chega ao cenário político com um perfil que desperta leituras diferentes - Foto: Jota Eurípedes

A política costuma tratar a juventude de duas formas distintas. Em alguns momentos, ela aparece como símbolo de renovação. Em outros, desperta desconfiança. É nesse ambiente que começa a se desenhar o desafio do vice-governador Daniel Vilela (MDB) no debate sobre a sucessão estadual.

Aos 42 anos, o emedebista chega ao cenário político com um perfil que desperta leituras diferentes. De um lado, o legado político da família e a trajetória construída ao longo de mandatos eletivos. De outro, a percepção de que ainda se trata de uma liderança jovem, que não percorreu todas as etapas tradicionais da formação política e administrativa que parte do eleitorado costuma valorizar. Esse quadro cria um paradoxo político. Para entender melhor essa questão, o jornal O Hoje ouviu especialistas.

Para o ex-deputado e sociólogo Tarzan de Castro, o legado político da família e a trajetória construída ao longo da vida pública tendem a pesar mais na avaliação do eleitorado. “Daniel não é um novato na política. Acompanhou de perto a vida pública do pai e já foi vereador, deputado estadual, deputado federal e hoje ocupa a vice-governadoria”, afirma.

Tarzan também faz um paralelo com a eleição de 1998. “Em Goiás já tivemos a experiência de um governador eleito jovem, que foi o Marconi Perillo (PSDB). Quando foi eleito, ele ainda não tinha completado 35 anos. Fez depois, senão nem poderia tomar posse. Então essa questão da idade do Daniel não tem nada a ver.”

Para o marqueteiro Joerbson Raniell, porém, o contexto político daquele período era bastante diferente do atual. “Naquele momento, Goiás vivia um claro desgaste após mais de uma década de domínio emedebista. O Estado havia sido governado sucessivamente por Iris Rezende, Henrique Santillo e Maguito Vilela. Depois de anos de hegemonia do MDB, havia no eleitorado um desejo explícito de mudança, de ruptura com o ciclo político que dominava o Palácio das Esmeraldas desde os anos 1980.”

Raniell acrescenta que a vitória de Marconi Perillo ocorreu justamente nesse ambiente. “A candidatura dele cresceu dentro desse cenário de busca por alternância de poder. O quadro político atual é praticamente o oposto.”

No grupo de Caiado

Hoje, Daniel Vilela integra um governo liderado por Ronaldo Caiado (PSD), que registra níveis de aprovação, próximos de 80%, segundo levantamento do instituto AtlasIntel. Trata-se de um dos índices de popularidade mais altos entre governadores no País.

Em contextos como esse, o debate eleitoral caminha para se organizar menos em torno da rejeição ao governo e mais na discussão sobre quem terá condições de dar continuidade a um modelo de gestão bem avaliado.

É nesse ponto que se insere o desafio político de Daniel Vilela. Como vice-governador, o emedebista aparece naturalmente associado à continuidade da atual administração. Ao mesmo tempo, precisa demonstrar a um eleitorado majoritariamente conservador que a renovação geracional também pode representar avanços para o Estado.

Para Joerbson Raniell, parte da estratégia do governo passa por associar a imagem do vice-governador a projetos ligados à modernização do Estado e a pautas que dialogam com o público mais jovem. Um dos exemplos é o projeto de revitalização do Estádio Serra Dourada. Daniel Vilela liderou o grupo de estudos criado para discutir o futuro do complexo esportivo, iniciativa que busca reposicionar um dos principais símbolos do esporte goiano.

MotoGP em Goiânia

Outra frente envolve o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia. O circuito se prepara para receber a segunda etapa do MotoGP na temporada 2026, entre os dias 20 e 22 de março. Além disso, o vice-governador também iniciou articulações para tentar trazer ao Estado uma corrida da Fórmula Indy, dentro de um programa voltado à atração de grandes eventos esportivos para Goiás.

A avaliação feita por analistas é de que iniciativas desse tipo podem ajudar a construir uma narrativa em que a juventude de Daniel Vilela deixe de ser vista apenas como falta de experiência e passe a ser associada a dinamismo, inovação e modernização. (Especial para O HOJE)

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também