segunda-feira, 9 de março de 2026
NOVO LÍDER SUPREMO

Filho de Ali Khamenei é escolhido como líder supremo do Irã

Após escolha de Mojtaba Khamenei, governo iraniano descarta cessar-fogo e diz que seguirá em “defesa e retaliação”

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 9 de março de 2026
Ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei
Ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em ofensiva dos EUA e Israel em Teerã (Foto: Reprodução/ @khamenei_ir)

A sucessão no comando da República Islâmica do Irã foi definida no domingo (8), em meio à guerra que se espalha pelo Oriente Médio. A Assembleia de Peritos, órgão composto por 88 clérigos responsável por escolher a autoridade máxima do país, elegeu Mojtaba Khamenei como novo líder supremo.

A escolha ocorre cerca de uma semana após a morte de Ali Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas. O antigo líder foi morto em 28 de fevereiro em bombardeios dos Estados Unidos e Israel em Teerã,  episódio que marcou o início da atual guerra em curso no Oriente Médio.

Nesta segunda-feira (9), o governo iraniano anunciou o fim do mandato do líder supremo interino e confirmou que Mojtaba assumiu oficialmente o posto. A guerra já se estendeu a outros países do Oriente Médio após ataques retaliatórios conduzidos por Teerã. Sob a nova liderança, o Irã manteve ofensivas aéreas contra países do Golfo Pérsico que abrigam bases militares dos EUA.

lider supremo
Ex-líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em ofensiva dos EUA e Israel em Teerã (Foto: Reprodução/ @khamenei_ir)

Irã rejeita negociações

O primeiro posicionamento público do governo após a eleição foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. Em coletiva de imprensa, ele descartou qualquer possibilidade de cessar-fogo no atual momento do conflito. Questionado sobre negociações para interromper os combates, Baghaei afirmou que “não faz sentido falar de nada além de defesa e retaliação contra os inimigos” enquanto os ataques continuarem.

O porta-voz também acusou Washington de ter interesses nos recursos energéticos iranianos. Segundo ele, “não há dúvidas” de que os EUA buscam o petróleo do país e tentam enfraquecer e dividir o Irã.

Baghaei ainda responsabilizou governos europeus por criarem condições que permitiram a ofensiva militar contra o território iraniano. “Países europeus que infelizmente ajudaram a criar essas condições. (…) Em vez de insistir no império da lei, em vez de resistir ao assédio e aos excessos dos EUA, falaram e se mostraram de acordo com eles no Conselho de Segurança da ONU no debate sobre o restabelecimento das sanções, e tudo isso encorajou os norte-americanos e os sionistas a continuarem cometendo seus crimes”, afirmou.

Trump “não está feliz” com o novo líder

Após a escolha do novo líder, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, em entrevista exclusiva ao jornal “New York Post”, que “não está feliz” com Mojtaba assumindo o Irã.  Antes mesmo da decisão ser confirmada, o norte-americano havia criticado a possibilidade de Mojtaba assumir o cargo máximo da República Islâmica, e afirmado que o próximo líder supremo iraniano “não vai durar muito” se Teerã não obtiver a aprovação de Washington.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é contra liderança de Mojtaba Khamenei (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

Mojtaba Khamenei

Ainda, após a confirmação da escolha, manifestações de apoio foram registradas em diferentes cidades do Irã. Em Teerã, a principal concentração ocorreu na Praça Enqelab, enquanto atos semelhantes foram realizados em Isfahan e em outros centros urbanos sob cobertura da mídia estatal. Os participantes prestaram o juramento de lealdade conhecido como bay’at ao novo líder supremo. Para ampliar a presença nos atos, o Ministério da Educação anunciou o cancelamento das aulas virtuais de professores e alunos.

Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho de Ali Khamenei. Mesmo ostentando o título de aiatolá, atua como clérigo de nível intermediário. Ele nunca ocupou cargo eletivo, mas é considerado uma figura influente dentro do establishment clerical iraniano. Ao longo dos anos, manteve relações próximas com a Guarda Revolucionária Islâmica e com a milícia paramilitar Basij, duas das principais estruturas de poder político e militar do país.

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