domingo, 25 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Mesmo com avanço do e-commerce, shoppings crescem e batem recorde de vendas

Setor faturou R$ 201 bilhões em 2025 e aposta em experiência, serviços e novos modelos de empreendimentos

Otavio Augustopor em
Mesmo com avanço do e-commerce, shoppings crescem e batem recorde de vendas
Divulgação/ Abrasce

Mesmo com o avanço acelerado do comércio eletrônico nos últimos anos, os shopping centers seguem demonstrando forte presença no varejo brasileiro. Em 2025, o setor alcançou faturamento histórico de R$ 201 bilhões, crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior, segundo o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025–2026, elaborado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O resultado marca a primeira vez que o segmento ultrapassa a barreira dos R$ 200 bilhões em vendas anuais no país.

Os dados evidenciam que, apesar da expansão das compras online, os centros comerciais continuam ocupando papel estratégico na dinâmica de consumo, especialmente ao combinar comércio, lazer, serviços e gastronomia em um único ambiente.

Estrutura robusta e presença nacional

O Brasil possui atualmente 658 shopping centers em operação, distribuídos por 253 cidades, com uma área bruta locável de cerca de 18,3 milhões de metros quadrados. Esses empreendimentos abrigam aproximadamente 124,7 mil lojas e apresentam taxa média de ocupação superior a 95%, indicando estabilidade no mercado.

Além do impacto no consumo, o setor possui grande relevância econômica. Estima-se que os shoppings gerem mais de 1 milhão de empregos diretos no país e recebam cerca de 471 milhões de visitantes por mês, consolidando-se como importantes polos de circulação urbana e atividade comercial.

A tendência é de continuidade na expansão. Para 2026, a Abrasce projeta crescimento adicional de aproximadamente 1,4% nas vendas e a inauguração de 11 novos empreendimentos, reforçando a maturidade e a capilaridade do setor no território nacional.

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Divulgação/ Flamboyant

Experiência como diferencial competitivo

Especialistas apontam que a principal estratégia dos shopping centers para manter relevância diante do comércio digital tem sido investir em experiência de consumo. Espaços gastronômicos ampliados, programação cultural, entretenimento e serviços variados têm atraído consumidores que buscam mais do que apenas compras.

Esse movimento tem refletido diretamente no comportamento do público. O tempo médio de permanência dos visitantes nos shoppings brasileiros chegou a 80 minutos por visita, o maior já registrado pela associação do setor.

A permanência mais longa indica que os centros comerciais passaram a funcionar também como espaços de convivência social e lazer, ampliando as oportunidades de consumo para lojistas e prestadores de serviços.

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Novos formatos ganham espaço

Dentro dessa transformação do varejo físico, novos modelos de empreendimentos comerciais têm ganhado força. Um deles é o strip mall, caracterizado por espaços abertos, integração com o entorno urbano e circulação facilitada entre lojas e serviços.

Esse formato, mais compacto que os shoppings tradicionais, costuma reunir operações de conveniência, alimentação, saúde e serviços, atendendo principalmente bairros em expansão ou regiões com forte fluxo local.

Em Goiânia, projetos desse tipo começam a surgir como alternativa para acompanhar a expansão urbana e a demanda por serviços próximos às áreas residenciais.

Estratégia para lojistas e prestadores de serviços

Para empreendedores, integrar um negócio a um mall ou centro comercial pode ampliar significativamente o fluxo de clientes. A lógica é simples: a concentração de diferentes operações em um mesmo espaço estimula o chamado consumo complementar, quando o cliente aproveita a visita para resolver várias demandas em um único local.

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Divulgação/ Adriano Reges

Outro fator relevante é a flexibilidade de espaços. Empreendimentos recentes têm adotado salas modulares, que permitem ampliar ou integrar unidades conforme o crescimento da empresa ou a necessidade do negócio.

Além disso, o planejamento estratégico do mix de lojas — que define a localização de restaurantes, serviços, clínicas ou comércios voltados à rua — tem se tornado elemento decisivo para o desempenho comercial.

Combinando conveniência, lazer e serviços, os shopping centers seguem demonstrando capacidade de adaptação às mudanças no comportamento do consumidor. O recorde de faturamento alcançado em 2025 indica que, mesmo em um ambiente digital cada vez mais forte, o varejo físico ainda possui espaço relevante na economia brasileira.

 

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