Lula fala em risco de invasão e defende parceria militar entre Brasil e África do Sul
Durante encontro com o presidente sul-africano em Brasília, declaração sobre defesa e cooperação estratégica chama atenção
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta segunda-feira (9) que Brasil e África do Sul precisam ampliar a cooperação na área de defesa e investir em produção própria de equipamentos militares. A declaração foi feita durante encontro com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em Brasília.
Durante a agenda oficial, os dois líderes participaram da assinatura de acordos bilaterais e discutiram temas ligados ao comércio, turismo e indústria. Em discurso, Lula destacou que os dois países compartilham desafios semelhantes e defendeu a criação de parcerias para fortalecer a autonomia no setor de defesa.
“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente. O Brasil tem necessidade similar à da África do Sul. Portanto, vamos juntar o nosso potencial e ver o que podemos construir juntos”, afirmou o presidente brasileiro.
Segundo o governo brasileiro, a visita de Ramaphosa também incluiu encontros com empresários e autoridades para discutir oportunidades de investimento e ampliar o intercâmbio econômico entre os dois países.
🇧🇷 “A gente está sob ameaça real de invasão, não é uma teoria, é real e o inimigo está ameaçando abertamente.
Precisamos nos preparar.”👉🏽 É preciso que cada brasileiro resguarde e proteja a Soberania do Brasil. pic.twitter.com/C0yFNsfHZ8
— 🪶Porã ( Humanista) 🏹🌳 🐆 (@LilliunAzules) March 9, 2026
Encontro em Brasília discute comércio e cooperação
A agenda oficial começou com cerimônia de honra militar no Palácio do Planalto. Em seguida, Lula e Ramaphosa participaram de reuniões bilaterais com ministros e representantes dos dois governos.
Durante o encontro, foram assinados memorandos de cooperação voltados principalmente ao turismo e ao comércio internacional. Um dos acordos envolve a colaboração entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Departamento de Comércio, Indústria e Concorrência da África do Sul.
Dados do governo indicam que o comércio bilateral entre os dois países movimentou cerca de US$ 2,3 bilhões em 2025, volume considerado abaixo do potencial econômico das duas nações.
Ramaphosa afirmou que há espaço para ampliar a cooperação econômica. Segundo ele, Brasil e África do Sul podem expandir parcerias em diferentes áreas produtivas.
“Precisamos cooperar em um nível muito mais alto. O comércio entre nossos países pode ser muito maior”, disse o presidente sul-africano durante a agenda oficial.
Além das reuniões diplomáticas, a programação incluiu um Fórum Empresarial Brasil–África do Sul, com participação de representantes do setor privado.

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Lula cita produção de armas e autonomia estratégica
Durante o discurso, Lula também mencionou a necessidade de reduzir a dependência de armamentos estrangeiros. O presidente defendeu que Brasil e África do Sul desenvolvam projetos conjuntos na indústria de defesa.
“Não precisamos ficar comprando dos ‘senhores das armas’. Nós poderemos produzir. Ninguém vai ajudar a gente, a não ser nós mesmos”, declarou.
Ao comentar o cenário regional, Lula afirmou que a América do Sul é uma região marcada por políticas de paz e destacou que o desenvolvimento de tecnologias militares pode ter aplicações civis.
“Aqui, na América do Sul, nós nos colocamos como uma região de paz. Aqui ninguém tem bomba nuclear ou bomba atômica. Nossos drones são para agricultura, para a ciência e tecnologia e não para a guerra”, afirmou.
Brasil e África do Sul fazem parte do grupo BRICS, bloco formado por países emergentes que também inclui China, Rússia, Índia e outros integrantes. A cooperação entre os dois países envolve áreas como comércio, inovação tecnológica, mineração e desenvolvimento industrial.
De acordo com o governo brasileiro, os presidentes devem se reencontrar ainda em 2026 em eventos internacionais, incluindo reuniões multilaterais e encontros diplomáticos previstos para os próximos meses.