segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Da esquerda à direita

Saiba quem faz parte da rede política de Vorcaro no escândalo do Banco Master

Investigações revelam contatos do ex-banqueiro com líderes de diferentes correntes políticas, enquanto a quebra de sigilo de Fabiano Zettel, cunhado do empresário, pode aprofundar crise a grupo ligado ao Banco Master

Bruno Goulartpor em
Saiba quem faz parte da rede política de Vorcaro no escândalo do Banco Master

Bruno Goulart

A investigação sobre o escândalo do Banco Master tem revelado uma ampla rede de relações políticas associadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o que amplia o alcance do caso em Brasília. Mensagens apreendidas, registros de encontros e doações eleitorais passaram a indicar proximidade do empresário com lideranças de diferentes campos ideológicos, com nomes centrais da política nacional. A presença desses personagens nas apurações transformou o caso em um dos temas mais sensíveis do ambiente político e legislativo.

Entre os nomes citados nas investigações aparecem o presidente da República, Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também figuram nas conversas e registros de contato lideranças partidárias e autoridades como o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI); do União Brasil, Antônio Rueda (PB); o senador Jaques Wagner (PT-BA); o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA); o governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de parlamentares como Nikolas Ferreira (PL-MG) e João Henrique Caldas (PL-AL). Também surgem nas apurações o ex-ministro Guido Mantega e o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Capacidade política de Vorcaro

Embora os níveis de proximidade variem, indo de encontros institucionais a menções em mensagens privadas, o conjunto de nomes evidencia a capacidade de interlocução política de Vorcaro. No caso de Lula da Silva (PT), o próprio presidente confirmou ter se reunido com o empresário em dezembro de 2024 fora da agenda oficial, a pedido de Guido Mantega, antes de o escândalo vir a público. Segundo o chefe do Executivo, o encontro teve caráter institucional e tratou de questões relacionadas ao sistema financeiro.

Já no campo da oposição, Bolsonaro aparece de forma indireta nas apurações devido ao financiamento eleitoral. O maior doador de sua campanha presidencial em 2022 foi o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que repassou R$ 3 milhões ao então candidato. O mesmo empresário também foi um dos principais financiadores da campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo, com doação de R$ 2 milhões.

Leia mais: Pressão cresce e Alcolumbre tenta conter crise com sessões semipresenciais

Outras relações surgem a partir de mensagens apreendidas pela investigação. Em uma delas, Vorcaro se refere ao senador Ciro Nogueira como “grande amigo de vida”. O parlamentar foi autor de uma proposta legislativa apelidada de “emenda Master”, que ampliaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de quebra de instituições financeiras. Nogueira afirma que nunca manteve qualquer conduta irregular relacionada ao caso.

Além disso, mensagens atribuídas ao empresário mencionam uma reunião realizada na residência oficial do Senado, o que colocou o nome de Davi Alcolumbre no centro das discussões políticas. Paralelamente, a Polícia Federal investiga aplicações de cerca de R$ 400 milhões feitas pela Amprev, fundo previdenciário do Amapá, em títulos emitidos pelo Banco Master.

Participação de Zettel

Nesse cenário, um novo capítulo foi aberto com a decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado do Senado de determinar a quebra de sigilo do pastor Fabiano Zettel. A medida, aprovada nesta quarta-feira (11), busca aprofundar as investigações sobre a atuação do empresário dentro do grupo ligado a Vorcaro.

Além de ser cunhado do ex-banqueiro, Zettel é apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura responsável por movimentar recursos e atuar na interlocução política do grupo. Investigadores também afirmam que o pastor teria participado de ações de pressão contra adversários e pessoas ligadas às apurações.

Com a quebra de sigilo, a CPI espera acessar mensagens, registros de contatos e movimentações financeiras que possam esclarecer a extensão das relações entre o núcleo empresarial e o meio político. (Especial para O HOJE)

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