segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Alta no Diesel

Governo Lula reage à crise do petróleo e tenta evitar desgaste em ano eleitoral

Medidas anunciadas por presidente e Haddad visam conter alta do diesel; especialistas divergem quanto ao impacto nas urnas

Thiago Borgespor em
Presidente Lula discursando
48% dos entrevistados na Genial/Quaest acreditam que a economia piorou no último ano | Foto: Marcelo Camargo/ABr

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciaram medidas do governo federal a fim de conter os impactos da crise do petróleo, ocasionada pela guerra fomentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Irã, e barrar o aumento no preço do diesel.

Na última quinta-feira (12), Lula zerou as alíquotas do PIS e do Confins sobre a importação e comercialização do diesel e assinou uma medida provisória (MP) com subsídio diesel para produtores e importadores. Haddad ainda anunciou que será cobrada uma taxa de 12% sobre as exportações de petróleo do País. A medida visa compensar a baixa na arrecadação. As medidas do Executivo federal são válidas até o dia 31 de dezembro deste ano.

A ação imediata do governo federal acontece, para além da guerra no Oriente Médio, em meio às avaliações negativas a respeito da economia do Lula 3. A pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (11) apontou que houve uma piora na percepção pública da situação econômica do País. 48% dos entrevistados acreditam que a economia do Brasil piorou no último ano. Em fevereiro, o número negativo era de 43%. 

Fato é que, em ano eleitoral, o governo precisará lidar com cobranças a respeito da condução do País em um momento de crise global vindas dos adversários eleitorais, que pretendem minguar o projeto de reeleição do petista. Recentemente, o pré-candidato a presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que “o posicionamento do governo Lula diante das ações do governo iraniano é inaceitável”. Não seria surpresa ver o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explorar e cobrar soluções do Executivo em relação à economia brasileira em meio à guerra. 

Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Lehninger Mota avalia que o Palácio do Planalto sabe do potencial impacto eleitoral a partir da condução em um momento de crise. “Uma das coisas que impactaram a eleição de 2022, além da pandemia, foi a inflação, que se encontrava alta no momento da eleição. Lula sabe do impacto que isso, potencializado a um bom marketing, pode causar”, analisou o cientista político em conversa com a reportagem do O HOJE . 

Na avaliação de Mota, as medidas do petista também visam não abrir “brecha” para argumentações de opositores. “Há um argumento que pode ser potencializado de que o governo não entregou o que prometeu, de que entregou uma inflação alta. A população não quer saber dos impactos da guerra. A população quer resolução de quem está na cadeira do presidente”, frisou. 

Doutor em Ciências Sociais pela UNB e professor da PUC-GO, Pedro Pietrafesa entende que a atuação do governo federal será importante em um “período de crise”, sobretudo, pela disputa eleitoral. “Como vai ser uma eleição bastante acirrada, qualquer ponto positivo ou negativo em relação ao governo vai determinar o resultado eleitoral final”, frisou. 

“A atuação do governo dentro das questões relacionadas ao preço da gasolina e os conflitos serão abordados durante a campanha eleitoral. Seja os conflitos internacionais, os posicionamentos do governo brasileiro ou as questões relacionadas à segurança pública”, ressaltou Pietrafesa. 

Leia mais: STF forma maioria para manter prisão de Daniel Vorcaro

“Ganho real” do tema

Já o professor da UFG e doutorando em Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), Guilherme Carvalho, destacou que existem dúvidas acerca do “ganho real” de explorar a temática eleitoralmente. “Um dado da Quaest dessa semana mostrou que uma parte significativa dos brasileiros está absolutamente alienada sobre vários fatos que estão acontecendo no País”, disse o cientista político. 

Segundo Carvalho, é preciso aguardar os desdobramentos do embate no Oriente Médio e a condução do governo Lula para avaliar o impacto financeiro e eleitoral. Além disso, ressalta que não crê que uma possível piora econômica pode resultar em mudança no panorama eleitoral. “É preciso esperar para saber se ‘sentir no bolso’ é a mesma coisa que reversão de voto, o que eu não acredito significativamente”, opinou o analista. 

Para Guilherme, há outros fatores com maior capacidade de impactar na eleição presidencial. “O que vai definir essa eleição não vai ser economia, como foi na outra. Teremos mais questões ligadas à agenda da segurança pública e à agenda da democracia. O governo tem mais a perder em não conduzir a situação do que tem a ganhar fazendo alguma benesse. Ganha muito pouco, mas pode perder muito”, frisou Carvalho.

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