Maternidade freou a carreira de 58% das mães brasileiras, aponta pesquisa; número sobe para 74% nos primeiros anos dos filhos
Levantamento da InfoJobs ouviu 650 mulheres e revelou que mais da metade já recusou oportunidades profissionais por não conseguir conciliar trabalho e maternidade
Ter filhos ainda cobra um preço alto da carreira das mulheres brasileiras. É o que revela a pesquisa “Percepções de carreira e maternidade”, realizada pela plataforma de empregos InfoJobs em 2025 com 650 mulheres de diferentes idades e contextos profissionais. Os dados expõem barreiras estruturais que seguem limitando o avanço feminino no mercado de trabalho.
O impacto na trajetória profissional das mães
Segundo o levantamento, 58,4% das mães afirmam que a maternidade desacelerou suas carreiras. O número sobe para 74,7% quando se considera especificamente o período dos primeiros anos de vida dos filhos, fase em que a reorganização da rotina é mais intensa. Além disso, 51,6% das entrevistadas já recusaram ou abriram mão de oportunidades profissionais por não conseguirem conciliar as demandas da maternidade com as exigências do trabalho.
A invisibilidade no ambiente corporativo
A pesquisa também aponta uma percepção generalizada de falta de reconhecimento. Para 65,3% das entrevistadas, as competências femininas se tornam invisíveis no ambiente corporativo após a chegada dos filhos. Outras 35,4% afirmam precisar provar mais do que colegas sem filhos para demonstrar comprometimento profissional.
O papel das empresas
O apoio oferecido pelas organizações ainda é insuficiente. Apenas 13,4% das participantes disseram ter trabalhado em empresas que oferecem acolhimento e benefícios concretos para mães. Outras 48% tiveram acesso apenas aos direitos mínimos previstos em lei, e 16,4% relataram que as empresas discursam sobre apoio à maternidade, mas não adotam medidas práticas.
Impacto no planejamento familiar
As desigualdades do mercado chegam a influenciar até decisões pessoais. Entre as mulheres que ainda não têm filhos, 42% afirmam considerar o impacto da maternidade na carreira antes de decidir engravidar, revelando como a chamada “penalidade da maternidade” vai além do ambiente profissional.
O outro lado
Apesar dos obstáculos, 47,3% das mães afirmam que se tornaram profissionais melhores após terem filhos, desenvolvendo habilidades como gestão do tempo, empatia, resiliência e liderança. No entanto, 46,3% acreditam que essas competências não são reconhecidas pelo mercado. As principais soluções apontadas pelas entrevistadas para melhorar a conciliação entre maternidade e carreira são flexibilidade de horário (52,7%), auxílio-creche (42,5%) e possibilidade de trabalho remoto nos primeiros meses após a licença-maternidade (40,7%).
Leia mais: Mais de 380 mil mães são demitidas após licença no Brasil