segunda-feira, 16 de março de 2026
MAUS-TRATOS

Cachorro comunitário tem 50% do corpo queimado após líquido ser jogado enquanto estava em calçada de Goiânia

Câmera registrou momento em que mulher joga líquido no animal conhecido como Johnny no Setor Castelo Branco; perícia confirmou queimaduras de terceiro grau e Polícia Civil investiga maus-tratos

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 16 de março de 2026
cachorro
Cachorro comunitário tem 50% do corpo queimado após líquido ser jogado em calçada de Goiânia. Foto: Reprodução

Um cachorro comunitário sofreu queimaduras graves após ser atingido por um líquido enquanto estava deitado na calçada de uma casa, no Setor Castelo Branco, em Goiânia. O caso foi registrado por uma câmera de segurança.

As imagens mostram o animal, conhecido na vizinhança como Johnny, descansando na calçada quando uma mulher se aproxima e joga um líquido sobre ele. Logo após ser atingido, o cachorro sai correndo assustado. Moradores da região afirmam que o animal foi atingido com óleo quente.

Em entrevista à TV Anhanguera, Cassilda Ferreira de Almeida negou ter cometido o crime. Segundo ela, estava apenas lavando a calçada no momento e teria jogado uma mistura com água sanitária. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

Johnny foi socorrido por moradores da região. Imagens mostram o cachorro com feridas e parte do pelo danificado após o ataque. Apesar de o caso ter ocorrido no dia 5 de março, as imagens só vieram a público nesta semana.

O empresário Wander Rodrigues Borges contou que a secretária de sua mãe ouviu o animal uivando de dor logo após o ocorrido. “Ela escutou o choro dele, que foi muito alto. Saiu lá fora e viu ele correndo. Na semana seguinte, quando estava chegando na casa da minha mãe pela manhã, encontrou ele todo queimado. Todo mundo aqui cuidava dele, então a revolta é geral”, relatou.

A família da moradora Cláudia Oliveira ajudou a limpar os ferimentos do animal. Segundo ela, havia óleo grudado na pele do cachorro. “Ele foi queimado. Quando voltou, estava muito machucado, com óleo grudado no couro, na carne viva. A gente começou a lavar para tentar ajudar”, contou.

Estado de saúde do cachorro

Após iniciar tratamento com medicamentos, Johnny apresentou melhora nos ferimentos, mas ainda precisa de cuidados médicos.

A técnica em veterinária Estefânia Mota Alves explicou que o cachorro corre risco de agravamento da infecção. “Ele precisa ser internado para receber medicamentos intravenosos, porque está com febre. A infecção pode se espalhar pelo sangue e atingir órgãos, o que pode levar até à morte”, afirmou.

Investigação sobre o caso

Em entrevista ao jornal O HOJE, a delegada Simelli Lemes, do Grupo de Proteção Animal, explicou que praticar abuso, ferir ou mutilar animais é crime de maus-tratos qualificado, previsto no artigo 32, parágrafo 1º-A, da Lei de Crimes Ambientais, com pena de até cinco anos de prisão.

Segundo a delegada, a Polícia Civil já requisitou perícia e iniciou a investigação do caso. Nesta segunda-feira, testemunhas devem ser ouvidas e, posteriormente, a suposta autora também será convocada para prestar depoimento. Ainda de acordo com ela, as imagens são um ponto importante para a comprovação da autoria, assim como os depoimentos.

A denúncia foi registrada na última quinta-feira (12) e, no domingo (15), a Polícia Civil solicitou uma perícia. O laudo confirmou que o cachorro sofreu queimaduras térmicas, com cerca de 50% do corpo atingido e lesões de terceiro grau. Segundo a delegada, agora que o crime foi comprovado por meio da perícia, as pessoas envolvidas serão ouvidas durante a investigação.

Denúncias de maus-tratos contra animais podem ser feitas à Polícia Civil pelo WhatsApp do 197, com envio de fotos ou vídeos, além da Delegacia Virtual ou presencialmente.

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