terça-feira, 17 de março de 2026
VICE EM DISPUTA

Antecipação expõe corrida interna e pressiona definição da chapa governista

Antes mesmo da definição oficial, aliados já travam disputa pública pela vaga de vice

Luma Silveirapor Luma Silveira em 17 de março de 2026
Antecipação expõe corrida interna e pressiona definição da chapa governista
Com vários nomes no páreo, vaga de vice vira alvo de articulação e disputa antecipada | Foto: Divulgação

A movimentação antecipada em torno da vaga de vice na chapa governista revela mais do que uma simples articulação política: escancara uma disputa interna intensa e fora do timing tradicional. O movimento de Gustavo Mendanha (PSD), que tem dito a interlocutores e reforçado publicamente que está preparado para a função, evidencia essa mudança de comportamento político.

“Me sinto apto, preparado não só para ser candidato a vice, mas principalmente para contribuir com o processo eleitoral e ajudar a vencer as eleições”, afirmou.

Para o cientista político Marcos Marinho, o cenário atual é marcado por acomodação e disputa por espaço dentro da própria base. “Há um sentimento no grupo de que a eleição já está ganha. Com isso, deixam de lado algumas liturgias do processo e passam a brigar entre si por espaço”, afirma.

Segundo ele, a antecipação não é isolada, mas resultado de uma concorrência interna crescente. “Todo mundo está levantando a mão para ser escolhido, tentando ser pinçado para compor a chapa, muito mais olhando para dentro do grupo do que para a disputa externa”, completa.

Na mesma linha, o historiador e analista político Tiago Zancope avalia que o movimento também revela o peso estratégico da vaga de vice na eleição. “O vice precisa ser alguém que traga votos e agregue segmentos. No caso do Mendanha, ele tem capacidade de mobilização, recall eleitoral e diálogo com públicos importantes, como o evangélico”, diz.

Zancope destaca que a disputa não é apenas pelo presente, mas já projeta o futuro político. “O que está em jogo não é só a composição da chapa agora, mas também o posicionamento para os próximos ciclos eleitorais”, pontua.

Corrida para a formação de chapa

A antecipação da corrida pelo posto, portanto, rompe a lógica tradicional — em que a escolha do vice costuma ocorrer apenas nas convenções — e transforma a vaga em um campo aberto de disputa dentro da própria base aliada. O resultado é um cenário em que nomes se movimentam publicamente, pressionam decisões e tentam se consolidar antes mesmo da definição oficial.

Enquanto o imbróglio se desenrola, Daniel Vilela evita se aprofundar nas especulações sobre a composição da chapa, enquanto novos nomes continuam surgindo nos bastidores e ampliando a disputa interna pelo posto.

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