terça-feira, 17 de março de 2026
fiscalização da tabela mínima

Nova greve dos caminhoneiros se aproxima após disparada do diesel

Alta de mais de 7% no diesel em março e reajuste insuficiente do frete impulsionam mobilização; categoria quer fiscalização da tabela mínima e isenção de pedágio para caminhões vazios

Luana Avelarpor Luana Avelar em 17 de março de 2026
Caminhoneiros
Caminhoneiros aprovaram paralisação em assembleia nesta segunda (16); alta do diesel e falta de fiscalização da tabela do frete estão entre as principais reivindicações da categoria. Foto: FreePik

O Brasil pode enfrentar uma nova greve dos caminhoneiros antes do fim desta semana. O movimento ganhou força após assembleia realizada nesta segunda-feira (16), que aprovou a paralisação. Agora, lideranças estaduais articulam uma data unificada para o início do protesto, que tem como estopim a alta expressiva no preço do diesel nas últimas semanas.

O que está por trás da mobilização

O preço médio do diesel S-10 subiu mais de 7% na primeira semana de março, chegando a cerca de R$ 6,90 por litro, segundo dados da ANP. O movimento de alta foi puxado pelo aumento do petróleo no mercado internacional, em meio ao conflito no Oriente Médio. O governo federal tentou conter a pressão com a redução de tributos sobre o combustível, mas o efeito foi limitado. Na sequência, a Petrobras promoveu reajuste de 11,6% nas refinarias. Mesmo assim, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o diesel ainda estaria abaixo da paridade internacional, o que pode indicar novas altas à frente.

Frete reajustado, mas sem fiscalização

A ANTT reajustou na sexta-feira (13) a tabela de pisos mínimos do frete em cerca de 7%, acionada pelo mecanismo previsto em lei após variação acumulada superior a 10% no preço do diesel, que neste caso ultrapassou 13%. Para o presidente da Abrava, Wallace Landim, o reajuste é insuficiente sem que haja fiscalização do seu cumprimento. Segundo ele, o transportador autônomo está pagando para trabalhar diante do cenário atual.

Além da recomposição dos valores, a categoria reivindica a implementação do travamento eletrônico da planilha de custo mínimo operacional e a isenção de pedágio para caminhões vazios, medida que Landim considera mais urgente do que a retirada de PIS/Cofins sobre o diesel em um momento de crise.

Como será a paralisação

A categoria pretende evitar bloqueios de rodovias e priorizar uma paralisação voluntária, com o objetivo de conscientizar os transportadores a ficarem em casa sem carregar. Caso não haja avanço nas negociações, a liderança não descarta uma escalada do movimento. A Casa Civil entrou em contato com representantes da categoria nesta semana, mas sem resultados concretos até o momento.

Leia mais: Lula zera imposto e subsidia diesel para conter alta de petróleo

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