Pressão por critério e alianças marca discussão do PT ao Governo de Goiás
Executiva estadual prega cautela na escolha de um nome, enquanto pré-candidato quer agilidade para definir critérios e ala da legenda defende união com outros partidas
A executiva estadual do PT prega cautela na escolha de quem será o nome do partido na disputa pelo Governo de Goiás. Enquanto os rivais eleitorais já decidiram sobre os nomes para a corrida pelo Palácio das Esmeraldas, o partido segue em discussões internas. Porém, a pressão para o afunilamento dos nomes já acontece.
O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, um dos pré-candidatos ao governo estadual, explicou que a legenda “conduz o processo de forma estratégica”. “A nossa presidenta Adriana Accorsi está tendo uma postura muito prudente. Nós vamos definir o candidato no tempo certo. O tempo certo é o tempo que a política determina”, destacou o petista em conversa com a reportagem do O HOJE.
Já o jornalista e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Goiás (Sindijor), Cláudio Curado, também pré-candidato ao governo estadual pelo PT, explicou que o processo de definição interna da legenda possui um rito específico.
“O PT tem um modo muito particular de definir seus candidatos e isso faz a diferença do partido que está há 46 anos, não definhou, pelo contrário, se fortaleceu. A executiva pode sugerir um nome e, por uma questão regimental, esse nome precisa passar por um encontro estadual, onde votam os delegados do Estado. É um processo mais demorado, mas que tem garantido ao PT essa organicidade. É o nosso diferencial”, disse o pré-candidato ao O HOJE.
Entretanto, Curado também mostrou insatisfação com o pouco avanço na definição do nome petista. “A gente teve a reunião do dia 2 de fevereiro e teve duas reuniões executivas de lá para cá, o que é muito pouco até para estabelecer critérios para definição de nome. Está paralisado e isso causa apreensão nos pré-candidatos. A gente acredita que essa semana o PT deve fazer reunião para definir critérios para se afunilar nomes”, disse o pré-candidato. Para Curado, as conversas com Accorsi acontecem “muito menos do que precisava”.
O ex-presidente do Sindijor ainda ressaltou que o partido não pode cometer os erros da eleição passada. “Isso teve reflexos na última eleição, quando demorou para se chegar ao nome do professor Wolmir Amado e a campanha foi muito ruim porque a gente saiu muito atrasado. Eu espero que o PT tenha uma resposta o mais rápido possível para passar a nós, pré-candidatos, para que a gente saiba o que precisamos fazer sem querer atropelar a direção do partido”, frisou o pré-candidato.
Leia mais: Novos registros da CPI do INSS expõem contatos de Vorcaro com políticos e autoridades
Aliança com outro partido
Bueno explicou que uma possível aliança do PT com outra sigla só acontecerá com apoio integral ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Existe um campo de debate com Marconi Perillo. Outro campo de diálogo com a vereadora e agora presidenta do PSB, Aava Santiago. Mas, nós temos uma posição clara para ser apoiado pelo pré-candidato de outro partido: tem que assumir de peito aberto a campanha do Lula em Goiás”, disse o pré-candidato. “Nós não podemos fazer uma aliança com um candidato a governador que vai fazer uma campanha escondida”, frisou.
Inclusive, a estratégia de composição com outras siglas é defendida em Anápolis. Ex-presidente do PT anapolino, o vereador Rimet Jules (PT) disse ao O HOJE que o “entendimento geral” do diretório municipal de Anápolis é que “uma aliança com vários partidos seria o ideal”. “Essa aliança não necessariamente traria um nome do PT para a cabeça de chapa”, explicou o parlamentar.
O vereador ainda ressaltou que o quadro petista da cidade avalia que a presidente do PT em Goiás, Adriana Accorsi, deveria ser o nome para o Palácio das Esmeraldas. “Se for do PT, o entendimento em Anápolis é que o nome deveria ser da delegada Adriana Accorsi, para que a gente tenha chances reais na disputa”, disse o vereador. Vale ressaltar, porém, que Accorsi já afirmou à reportagem do O HOJE que será candidata à reeleição na Câmara dos Deputados.