Aparecida de Goiânia regulariza aterro e vira referência ambiental após corrigir mais de 50 falhas
Licença definitiva encerra risco de sanções e marca transformação de lixão em um dos maiores aterros licenciados de Goiás após força-tarefa técnica
A Prefeitura de Aparecida de Goiânia passou a contar, a partir desta quinta-feira (19), com a licença definitiva de operação do aterro sanitário municipal, concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A regularização ocorreu após uma força-tarefa técnica que solucionou mais de 50 irregularidades ambientais identificadas na unidade, herdadas da gestão anterior.
Segundo a administração do prefeito Leandro Vilela, entre os problemas corrigidos estavam falhas no monitoramento do solo, deficiência no controle de efluentes e pendências na documentação técnica, que se encontrava vencida. O aterro atende diariamente cerca de 500 toneladas de resíduos sólidos, beneficiando uma população estimada em mais de 600 mil habitantes.
Durante a solenidade, o prefeito destacou que o espaço foi encontrado em situação crítica pela atual gestão. “Há um ano e três meses, praticamente, nós recebemos a cidade em completo estado de abandono.”, afirmou.
Com a emissão da licença, o município volta a operar em conformidade com as normas ambientais vigentes, evitando sanções e garantindo o tratamento adequado dos resíduos urbanos. De acordo com Vilela, a recuperação do aterro exigiu um trabalho conjunto entre equipes técnicas municipais e estaduais. “Fizemos tudo corretamente, conforme manda os preceitos legais, com muita seriedade e transparência, cuidando do meio ambiente e, acima de tudo, da saúde pública”, disse.
O prefeito também apontou que as condições anteriores comprometiam o funcionamento adequado da unidade. Segundo ele, o local chegou a operar como um lixão. “Aqui estava abandonado em todos os sentidos, com lixo descoberto. Deixou de ser um aterro sanitário para ser lixão. Era lixão”, declarou.
Ainda conforme Vilela, foram corrigidos cerca de 80 apontamentos técnicos para a regularização completa da área, e a melhoria já apresenta resultados visíveis. “Hoje, ninguém vê mosquito, não vê mosca aqui. Isso demonstra o trabalho que foi feito na recuperação”, afirmou.
O gestor também enfatizou o apoio do Governo de Goiás no processo de regularização e em outras ações no município. “A presença do Estado tem sido fundamental, como parceiro, para que possamos fazer entregas concretas à população”, pontuou.
Vilela citou outras iniciativas em andamento na cidade, como a troca da iluminação pública, recuperação asfáltica e mudanças na merenda escolar, reforçando o compromisso da gestão com a melhoria da qualidade de vida da população.

Força-tarefa corrige irregularidades e recupera unidade em aterro
“Foram investidos cerca de R$ 25 a R$ 30 milhões na recuperação e na continuidade da operação do aterro, o que permitiu manter as atividades e viabilizar recursos para sua recuperação”, afirmou o prefeito.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Urbano, Wagner Siqueira, o aterro sanitário de Aparecida de Goiânia desempenha um papel fundamental no tratamento de resíduos sólidos do município.
O secretário explicou que o chorume, líquido altamente poluente gerado pela decomposição do lixo, passa por um processo rigoroso de tratamento. “Esse material tem uma carga orgânica terrível. Se cair em um córrego, pode matar os peixes, porque retira todo o oxigênio da água. Aqui, ele é tratado até ficar dentro dos padrões do Conama, podendo inclusive ser reutilizado, como na irrigação de áreas”, afirmou.
Siqueira também destacou a importância das estruturas de controle ambiental do aterro, como as chaminés responsáveis pela queima de gases. Ele explicou que, diferentemente de um lixão, onde o lixo é simplesmente descartado a céu aberto, o aterro sanitário conta com sistemas que evitam a contaminação do solo e do lençol freático, além de reduzir a emissão de gases poluentes. “No lixão, há liberação direta de metano na atmosfera e infiltração de chorume no solo. Já no aterro sanitário, todo o chorume é drenado e tratado, e os gases são captados pelas chaminés e queimados”, disse.
Ainda segundo o secretário, a queima do metano, um dos principais gases gerados, é essencial para reduzir impactos ambientais. “Quando queimamos o metano, ele se transforma em CO₂, que é 21 vezes menos poluente. Ou seja, reduzimos significativamente os danos ao meio ambiente”, ressaltou.
O secretário lembrou que o aterro foi encontrado em situação crítica pela atual gestão. “Pegamos um aterro praticamente abandonado, com uma série de irregularidades. Mas, com orientação da Semad e do Ministério Público, conseguimos reverter esse quadro e fazer tudo da forma correta”, afirmou.
Siqueira também destacou o apoio institucional recebido durante o processo de regularização. “Hoje podemos dizer com orgulho que Aparecida tem um dos cinco aterros licenciados do estado de Goiás”, declarou.
Por fim, o secretário adiantou que a gestão já trabalha na ampliação da capacidade do aterro. “Estamos próximos de conseguir a licença de ampliação. Isso vai garantir que Aparecida tenha capacidade de destinar corretamente seus resíduos por mais 15 a 20 anos”, concluiu.

Regularização encerra risco de sanções ambientais
Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a concessão da licença definitiva representa a comprovação de que a unidade passou por todas as revisões e exigências ambientais necessárias para operar de forma regular. A titular da pasta, Andréa Vulcanis, afirmou que o reconhecimento é resultado de um trabalho técnico intenso realizado ao longo do último ano.
Ela destacou que o local foi encontrado em situação crítica pela atual gestão. “O aterro estava em condições calamitosas há um ano. Ele chegou a ser embargado pela Semad devido às condições extremamente deficitárias de operação”, afirmou.
Ainda segundo a secretária, a reestruturação promovida pela prefeitura transformou completamente a realidade da unidade. “Houve, de fato, uma conversão de um lixão para um aterro sanitário. Hoje, ele pode ser reconhecido como o maior aterro público licenciado do estado de Goiás”, declarou.
Ela ressaltou que a conquista vai além da regularização ambiental, refletindo diretamente na qualidade de vida da população. “Estamos falando de qualidade da água, de ausência de contaminação e do tratamento correto do chorume, que agora sai dentro dos padrões exigidos pelo Conama”, explicou.
A secretária também destacou que o sistema atual inclui o tratamento do chorume em lagoas específicas e a queima dos gases gerados no aterro, reduzindo impactos ambientais. “Foi um trabalho muito pesado, mas hoje entregamos isso com orgulho para a população”, disse, ao lembrar que mais de 80 requisitos técnicos precisaram ser cumpridos para a emissão da licença.
Apesar da regularização, ela enfatizou que a manutenção das condições ambientais exige monitoramento contínuo. “Hoje o aterro opera dentro dos requisitos ambientais, mas isso é uma ação contínua. Todos os dias é preciso manter e monitorar”, pontuou, ao explicar que a licença conta com cerca de 130 condicionantes.
Sobre os benefícios para a sociedade, a secretária alertou para os riscos de um lixão a céu aberto. “O chorume pode atingir rios e córregos, causando doenças sérias, até mesmo câncer e problemas fetais. Além disso, há a proliferação de mosquitos e outros vetores”, afirmou.
Ela destacou que a situação atual é diferente e já apresenta resultados concretos. “Hoje não vemos mosquitos aqui, o que é um fator muito relevante para a saúde pública”, disse, acrescentando que o controle adequado dos resíduos também contribui para a preservação da fauna e da flora da região.
Por fim, a secretária avaliou que o caso de Aparecida de Goiânia pode servir de exemplo para outros municípios. “Foi um trabalho técnico, feito sem alarde, mas com muita seriedade. Quando a licença é concedida, é porque tudo foi realmente cumprido”, concluiu.