quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Interesses políticos

O que ainda falta na definição do vice de Daniel Vilela

Decisão esbarra na disputa entre nomes com voto, aliados de confiança do grupo governista e na pavimentação para possível retorno de Caiado ao governo em 2030

Bruno Goulartpor em
O que ainda falta na definição do vice de Daniel Vilela
Entrave passa menos pela escassez de opções e mais pela dificuldade de conciliar interesses políticos. Foto: Benedito Braga

Bruno Goulart

A definição do vice na chapa do pré-candidato ao Governo de Goiás, Daniel Vilela (MDB), ainda não saiu do papel. E não é por falta de nomes. Nos bastidores, a avaliação é de que o entrave passa menos pela escassez de opções e mais pela dificuldade de conciliar interesses políticos. Entre eles estão o peso eleitoral dos possíveis aliados e, sobretudo, o papel estratégico que esse vice pode exercer no futuro do grupo.

De um lado, estão nomes com densidade eleitoral e capacidade de agregar votos. É o caso do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Sebrae, José Mário Schreiner (MDB), do ex-prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (UB), e do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (PSD), que foi segundo colocado na eleição de 2022, contra o governador Ronaldo Caiado (PSD), com quase 900 mil votos. Também aparece o ex-senador Luiz Carlos do Carmo (MDB), irmão do presidente da Assembleia de Deus Ministério de Campinas, bispo Oídes José do Carmo, que tem forte influência no meio evangélico. Em comum, todos oferecem capital político, seja no agronegócio, em grandes colégios eleitorais ou em segmentos específicos.

Por outro lado, há perfis que não necessariamente somam votos, mas que atendem a outro critério considerado decisivo: a confiança política. É nesse grupo que entra o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, apontado nos bastidores como  “mente brilhante” do governo e nome de preferência do governador Ronaldo Caiado (UB). Mesmo sem trajetória eleitoral, o integrante do Palácio Pedro Ludovico é visto como peça estratégica para garantir alinhamento e continuidade administrativa.

Segundo o especialista em marketing político Felipe Fulquim, a demora na escolha revela o peso dessa decisão. “Daniel e Caiado estão adiando a decisão mais difícil da formação da chapa por conta dos impactos no presente e no futuro”, afirma. Fulquim destaca que há um dilema entre nomes que “agregam votos em públicos específicos” e aqueles que representam “fidelidade e lealdade futura”, especialmente quando se pensa no projeto político a partir de 2030.

Essa projeção, inclusive, é um dos pontos centrais do impasse. Como Daniel Vilela já vai disputar a reeleição em outubro, o vice eleito pode assumir protagonismo ao longo do mandato. “Seu papel pode levar à titularidade dentro de cinco anos”, observa Fulquim. Nesse cenário, a escolha deixa de ser apenas eleitoral e passa a definir também quem terá espaço na sucessão.

Candidatura de Caiado em 2030

Para o estrategista político Marcos Marinho, a lógica tradicional ainda se mantém, mas com adaptações. “O vice é escolhido, normalmente, por dois motivos: ou traz recursos para a campanha, ou amplia a proximidade com algum segmento”, explica. No entanto, Marinho ressalta que, em Goiás, há um fator adicional: a influência direta de Caiado. “A escolha também passa pela fidelidade ao governador”, diz.

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Nos bastidores, essa variável está ligada a uma possível candidatura de Caiado ao governo em 2030. Assim, o vice de Daniel precisaria não apenas compor a eleição de 2026, mas também preservar espaço político para esse projeto futuro. É nesse contexto que nomes mais técnicos, como Adriano da Rocha Lima, ganham relevância, mesmo sem voto.

Já o sociólogo Jones Matos avalia que o cenário ainda está em construção e pode mudar até as convenções. “O ideal é fazer pesquisa qualitativa para traçar o perfil do vice”, afirma. Matos também aponta lacunas regionais na lista atual de nomes. “Há dificuldades no Entorno do Distrito Federal. Nenhum desses nomes tem inserção forte ali”, analisa.

Além disso, o sociólogo relativiza o peso eleitoral de alguns cotados. “Paulo do Vale é forte, mas vem da mesma região de Daniel. Outros têm baixa densidade eleitoral.” Para Matos, isso mostra que a escolha ainda carece de um critério mais claro de equilíbrio entre território, voto e estratégia. (Especial para O HOJE)

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Daniel Vilela eleições 2026 Vice governador

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