Força de Lula e Bolsonaro é testada na eleição a governador com Luis Cesar e Wilder
Na reta final, Luis Cesar Bueno aposta na ligação com o presidente, enquanto Wilder Morais recebe Flávio em Goiânia para mobilizar base bolsonarista
Bruno Goulart
A disputa pelo Governo de Goiás entra na última semana com uma estratégia que leva para a eleição estadual a polarização da política nacional. De um lado, Luis Cesar Bueno (PT) tenta reforçar a ligação com o presidente Lula da Silva, com a presença de ministros do governo federal em Goiás. Do outro, Wilder Morais (PL) aposta na proximidade com a família Bolsonaro. Neste domingo (27), inclusive, o senador Flávio Bolsonaro estará em Goiânia para participar de uma carreata ao lado do candidato do PL. A movimentação levanta a seguinte questão: qual é o peso de um padrinho nacional na corrida pelo Palácio das Esmeraldas?
Luis e Lula
Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Pedro Pietrafesa, ouvido pelo O HOJE, a associação pode ajudar o eleitor a identificar um candidato estadual. Segundo o especialista, quem já possui uma referência política nacional pode levar essa identificação para a disputa local. “Essa associação ajuda aquele eleitor do Lula que não conhecia o candidato do PT no Estado a identificá-lo. É um atalho importante para alguns candidatos ter ali o padrinho nacional”, afirma.
No caso de Luis Cesar Bueno, a estratégia vem acompanhada da presença de integrantes do governo federal. Durante a campanha, estiveram em Goiás Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República; Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Paulo Henrique Rodrigues, do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; e Leonardo Barchini, ministro da Educação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deve vir a Goiânia na segunda-feira (28) para se encontrar com Luis Cesar Bueno.
Wilder e Flávio
No campo do PL, Wilder Morais tenta fazer movimento semelhante, mas com o eleitorado ligado a Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro participa neste domingo (27) de uma carreata em Goiânia. A concentração será às 15h, nas proximidades do Estádio Serra Dourada. A saída está marcada para as 17h, com destino ao Parque Flamboyant. Depois, Flávio e Wilder devem discursar para os apoiadores.
Para o estrategista político Marcos Marinho, o movimento dos dois lados tem, principalmente, um objetivo de mobilização. “Nesse momento, de ambos os lados, eu vejo isso mais como um aceno para as militâncias”, afirma. Na avaliação de Marinho, Luis Cesar busca dar mais engajamento à militância petista, enquanto Wilder tenta fortalecer o grupo bolsonarista na reta final.
A presença de Flávio pode ter um peso maior para Wilder porque o candidato ainda precisa ampliar sua identificação dentro da própria base bolsonarista. “O Wilder ainda tem um desconhecimento grande dentro da base bolsonarista. Ele nunca foi um dos principais nomes do PL aqui em Goiás”, diz Marinho.
Nesse cenário, Flávio pode funcionar como um reforço da identidade de Wilder com o eleitorado de direita. A presença do senador pode ajudar a aproximar eleitores que apoiam Bolsonaro, mas que ainda não estejam diretamente envolvidos com a campanha para governador. “Com a vinda do Flávio, isso pode, sim, dar um pouco mais de tração nessa reta final e garantir um voto de arrasto bolsonarista que talvez não estivesse tão ligado à campanha para o governo”, afirma o estrategista.
Eleitores de Bolsonaro
O professor da PUC-GO considera importante a presença de Flávio. Para Pietrafesa, a família Bolsonaro possui uma quantidade significativa de eleitores em Goiás, o que pode favorecer a transferência de parte dessa identificação para Wilder. “Isso faz com que a transferência de votos possa ser importante para o Wilder Morais”, afirma.
Marinho, por sua vez, considera possível uma mudança na disputa na última semana, caso haja maior mobilização do eleitorado bolsonarista e perda de força da campanha de Marconi Perillo (PSDB). “Pode ser que, na reta final, uma arrancada de Wilder e uma desmobilização do grupo marconista alterem as colocações”, pontua. (Especial para O HOJE)
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