segunda-feira, 23 de março de 2026
Banco Master

Às vésperas da prisão, Vorcaro buscou juiz do próprio caso

Um dia antes de ser preso, Daniel Vorcaro buscou na internet quem era o juiz do seu caso e ainda tentou contato em busca de “notícias” sobre o processo

Paula Costapor Paula Costa em 23 de março de 2026
Master
Dados da PF indicam que ex-banqueiro monitorava investigação sigilosa antes de ser detido em Guarulhos rumo a Dubai. Reprodução/ Rede Social.

Às vésperas de ser preso, em novembro de 2025, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então ligado ao Banco Master, realizou buscas na internet para identificar o juiz responsável por seu processo. A informação consta em dados extraídos do celular apreendido pela Polícia Federal e foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo. Vorcaro acabou detido no dia 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, ao tentar embarcar para fora do país.

De acordo com os registros, a pesquisa foi feita em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão. O conteúdo foi localizado no aparelho do empresário após perícia da Polícia Federal e posteriormente compartilhado com parlamentares da CPI do INSS, ampliando as suspeitas de que informações sigilosas da investigação teriam sido antecipadas ao investigado.

No mesmo dia da busca, Vorcaro também registrou uma anotação no celular mencionando o nome de um magistrado vinculado ao caso. A mensagem, enviada em modo de visualização única a um destinatário não identificado, levantou dúvidas entre investigadores sobre possíveis contatos ou tentativas de mapear a condução do inquérito.

Já na véspera da detenção, o ex-banqueiro teria procurado o ministro Alexandre de Moraes por mensagem, questionando se havia novidades ou possibilidade de bloqueio de medidas contra ele. O episódio reforçou, entre integrantes da investigação, a avaliação de que Vorcaro acompanhava de perto os desdobramentos do processo.

A prisão ocorreu por volta das 22h do dia 17, quando Vorcaro tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta. A suspeita das autoridades era de que ele deixaria o país para evitar eventual ordem judicial.

O inquérito tramitava na 10ª Vara Federal de Brasília. A decisão que determinou a prisão preventiva foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite às 15h29 daquele mesmo dia, com base em representação do Ministério Público Federal. A vara tem como titular Antonio Claudio Macedo da Silva, sendo que ambos os magistrados dividem a condução dos processos na unidade.

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