segunda-feira, 23 de março de 2026
Em Brasília

Após duas semanas de sessões remota, Congresso retoma atividades presenciais sob pressão política

No centro do debate temas sensíveis, como segurança pública, Banco Master e tensão entre os Poderes

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 23 de março de 2026
Após duas semanas de sessões remota, Congresso retoma atividades presenciais sob pressão política
Retorno ocorre sob críticas ao esvaziamento do Parlamento, justamente quando temas relevantes avançam nos bastidores. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Bruno Goulart

Após duas semanas de funcionamento remoto, o Congresso Nacional retoma, nesta semana, as atividades presenciais em meio a um cenário de pressão política, crise institucional e cobrança por decisões sobre pautas consideradas sensíveis. O retorno ocorre sob o impacto de críticas ao esvaziamento do Parlamento, justamente quando temas relevantes avançam nos bastidores, como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a possível instalação de uma CPI para investigar o Banco Master e a continuidade da comissão que apura irregularidades no INSS.

A adoção do modelo remoto reduziu significativamente a presença física de deputados e senadores em Brasília, o que, na avaliação de interlocutores, enfraqueceu o debate político e favoreceu articulações longe do plenário. Agora, com a retomada presencial, a expectativa é de intensificação das discussões e maior pressão pública sobre os parlamentares.

Segurança Pública e dosimetria

Entre as pautas que devem ganhar destaque está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, além do Projeto de Lei Antifraude. Segundo o deputado federal José Nelto (União Brasil), a definição sobre o que será efetivamente votado depende diretamente das lideranças partidárias e do Palácio do Planalto. “Isso depende do Colégio de Líderes e também da vontade do presidente da República. São projetos que estão na ordem do dia nos debates”, afirmou ao O HOJE.

Além dessas matérias, o Congresso também deve lidar com vetos presidenciais pendentes, como o do projeto que trata da dosimetria de penas, e com propostas voltadas à proteção das mulheres. O deputado Ismael Alexandrino (PSD) destaca que a agenda tende a ser ampla e marcada por disputas políticas. “Tem algumas pautas relacionadas à proteção à mulher que devem entrar. Está pendente a apreciação do veto do PL da dosimetria. A PEC da segurança precisa avançar no Senado”, pontuou.

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Ao mesmo tempo, cresce a pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master, tema que tem mobilizado tanto a oposição quanto setores independentes, mas que perdeu força diante da possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro realizar uma delação premiada. Paralelamente, a CPMI do INSS deve continuar em evidência, ampliando o desgaste político do governo federal.

Fim da escala 6×1

Outro ponto que pode voltar ao debate, ainda que sem consenso, é a proposta de mudança na escala de trabalho 6 por 1. Para José Nelto, o tema exige cautela e diálogo antes de qualquer avanço. “Acho muito difícil que ela avance neste momento. Depende de muita conversa entre empresários, governo e trabalhadores. É uma pauta que ainda não tem consenso”, avaliou.

O parlamentar também alertou para possíveis impactos econômicos da medida. “Precisamos ter cuidado para não engessar a relação entre empregador e trabalhador. O empregado precisa do empreendedor, assim como o empreendedor também precisa do empregado. Há o risco de impactar negativamente o setor produtivo brasileiro”, disse, ao defender que o tema seja discutido com mais profundidade no Congresso.

Nesse contexto, o retorno presencial do Legislativo ocorre em meio a uma crescente tensão entre os Três Poderes. De um lado, parlamentares pressionam o STF e defendem investigações mais amplas; de outro, o governo federal busca manter sua base aliada coesa diante de uma agenda sensível e potencialmente desgastante — ainda mais em ano de eleição. (Especial para O HOJE) 

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