segunda-feira, 23 de março de 2026
DIVERGÊNCIAS

Trump anuncia negociação com Irã enquanto Teerã nega diálogo

Teerã nega contatos com Washington enquanto Trump afirma avanço em diálogo e sinaliza trégua temporária no conflito

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 23 de março de 2026
Donald Trump afirma que foi procurado por autoridades iranianas em busca de um acordo
Presidente norte-americano afirma que autoridades iranianas contataram ele (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

A escalada de tensão na guerra do Oriente Médio ganhou novos contornos nesta segunda-feira (23), marcada por versões conflitantes entre Irã e Estados Unidos sobre a existência de negociações entre os dois países. Enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que há diálogo em curso e indicou avanços, autoridades iranianas negaram qualquer contato com Washington e classificaram as declarações como estratégia política e econômica.

De acordo com informações divulgadas pela mídia estatal iraniana, o governo de Teerã rejeita a narrativa apresentada pelos EUA. O Ministério das Relações Exteriores sustenta que não há negociações em andamento e mantém a posição de que não foi o responsável pelo início do conflito. Em meio a tentativas de mediação por parte de países da região, o chanceler iraniano afirmou que eventuais pedidos de contenção devem ser direcionados aos norte-americanos. “Nossa resposta a todas elas é clara: não fomos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser encaminhados a Washington”, declarou.

Ainda segundo autoridades iranianas, as falas de Trump têm como objetivo influenciar o mercado internacional de energia. A avaliação é de que a sinalização de possível diálogo busca conter a alta nos preços do petróleo e do gás, impulsionada pela guerra. Esse entendimento foi reforçado por agências estatais, que também descartaram qualquer possibilidade de negociação nas condições atuais. “Não houve negociações e não haverá, e com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz retornará às suas condições pré-guerra, nem haverá paz nos mercados de energia”, informou a Tasmim.

Trump anuncia trégua de cinco dias

Do lado norte-americano, Trump apresentou uma versão oposta. Nesta manhã, anunciou uma trégua temporária de cinco dias em ataques contra a infraestrutura energética iraniana e afirmou que manteve conversas produtivas com lideranças do país no fim de semana. Horas depois, ao ser questionado por jornalistas, reiterou que o diálogo segue em andamento e disse haver chances concretas de um acordo.

O presidente também afirmou que o Irã teria sinalizado disposição para não desenvolver armas nucleares e declarou que a iniciativa de contato partiu de autoridades iranianas. “Eles que ligaram. Eu não liguei”, disse. Segundo ele, as divergências nas versões podem ser resultado de falhas de comunicação interna no governo iraniano, agravadas pelos recentes ataques conduzidos por Washington e Tel Aviv.

Trump ainda indicou que as conversas não envolvem diretamente a atual liderança iraniana e afirmou não reconhecer Mojtaba Khamenei como líder supremo. O republicano declarou que as negociações devem considerar uma nova liderança no país. Em outra frente, disse em entrevista à CNN que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto em breve, caso haja avanço nas tratativas, e sugeriu um possível controle conjunto da rota estratégica.

Donald Trump afirma que Estreito de Ormuz pode ser controlado por Washington e Teerã
Donald Trump afirma que Estreito de Ormuz pode ser controlado por Washington e Teerã (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

Ameaças mútuas no fim de semana

As declarações ocorrem após a intensificação das ameaças militares entre os dois lados. No fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou estar pronta para fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar instalações energéticas de Israel e de países que abrigam bases norte-americanas. A ameaça foi uma resposta direta à fala de Trump, que havia mencionado a possibilidade de destruir usinas iranianas caso a passagem não fosse reaberta.

Ainda, os preços do petróleo passaram a cair ao longo do dia, reagindo às sinalizações de possível trégua e à incerteza sobre os próximos passos do conflito, que no sábado (21) entrou na quarta semana.

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