terça-feira, 21 de julho de 2026
ORIENTE MÉDIO

Estreito de Ormuz opera sob “condições especiais” impostas pelo Irã

Irã afirma que passagem está aberta a um número restrito de países enquanto Trump busca apoio internacional

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 16 de março de 2026 às 15:49
Estreito de Ormuz está aberto às nações que não estão participando da ofensiva contra o Irã
Porta-voz do Irã, Esmaeil Baghaei, declara que a rota está operando para um número limitado de embarcações (Foto: Reprodução/ @IRIMFA_SPOX)

O Estreito de Ormuz segue no centro das preocupações internacionais, durante a guerra no Oriente Médio. A passagem marítima no Golfo Pérsico é considerada uma rota  estratégica, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo exportado globalmente. Em meio ao conflito, o tráfego de navios foi drasticamente reduzido e passou a ocorrer sob restrições impostas por Teerã.

O governo iraniano afirmou na segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz “não está fechado”, mas opera sob “condições especiais”. Segundo autoridades do país, apenas um número limitado de embarcações tem recebido autorização para atravessar a rota desde o início da guerra.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, navios de países que não participam da ofensiva militar contra Teerã têm conseguido atravessar a passagem com autorização das forças armadas iranianas. “Partes que não participam da agressão militar contra o Irã têm conseguido atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com permissão de nossas forças armadas”, afirmou.

Baghaei disse ainda que permitir o trânsito irrestrito de embarcações ligadas a países envolvidos na guerra seria incompatível com a situação atual. Segundo ele, nenhum país costeiro sob ameaça permitiria que navios inimigos utilizassem uma rota estratégica para se fortalecer e lançar ataques.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no domingo (15), que diversos países procuraram o governo iraniano para discutir a passagem segura de navios pelo estreito. Segundo ele, um grupo de embarcações de diferentes nacionalidades já recebeu autorização para atravessar a área, embora as decisões finais estejam sob responsabilidade das forças armadas.

Trump pede para que países cuidem do Estreito de Ormuz

Enquanto o Irã controla a circulação de navios, os Estados Unidos buscam apoio internacional para garantir o funcionamento da rota marítima. O presidente Donald Trump afirmou ter recebido “algumas respostas positivas” após entrar em contato com diferentes países para discutir formas de proteger o Estreito de Ormuz.

Donald Trump pede apoio internacional no Estreito de Ormuz
Donald Trump afirma que alguns países preferem não se envolver no conflito do Oriente Médio (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

“Eles foram contatados hoje e ontem à noite, e tivemos algumas respostas positivas. Alguns preferem não se envolver”, disse Trump a jornalistas a bordo do Air Force One. O presidente norte-americano não revelou quais governos foram procurados.

Apesar das consultas feitas por Washington, nenhum país anunciou até agora o envio de embarcações militares para a região. O Japão afirmou que ainda avalia quais medidas pode adotar de forma independente dentro de seu marco legal. A Austrália declarou que não recebeu solicitação para participar de uma operação na área.

Europa demonstra cautela após pedido de Trump

Na Europa, governos também indicaram cautela diante do pedido norte-americano. A Alemanha afirmou que não considera participar de atividades militares no Estreito de Ormuz e ressaltou que o conflito não envolve a Otan. Autoridades italianas defenderam a diplomacia como caminho para resolver a crise, enquanto a Grécia declarou que não se envolverá em operações militares na região.

A China, grande importadora de petróleo transportado pela rota, afirmou que está em contato com “todas as partes” sobre a situação no Estreito de Ormuz. O governo chinês reiterou o apelo por uma redução da escalada do conflito e pediu que os combates sejam interrompidos para evitar consequências econômicas mais amplas.

A escalada no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre Washington e Tel Aviv matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. A ofensiva também atingiu alvos estratégicos e integrantes da cúpula militar do regime.

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