terça-feira, 24 de março de 2026
'Acorda, Goiás'

Gayer marca lançamento ao Senado em meio a racha no PL goiano

O deputado federal irá lançar sua pré-candidatura em evento com lideranças nacionais do PL, enquanto se intensificam as divergências com o senador Wilder Morais, presidente da sigla em Goiás e pré-candidato ao governo estadual

Thiago Borgespor Thiago Borges em 24 de março de 2026
6 abre Gayer e Nikolas Foto Divulgacao
Evento de pré-candidatura de Gustavo Gayer ao Senado expõe racha interno no PL | Foto: Divulgação

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) irá lançar sua pré-candidatura ao Senado Federal no próximo dia 11 de abril, em um evento no Estado que irá reunir as principais lideranças nacionais da legenda bolsonarista. Entretanto, o evento irá acontecer em meio ao racha interno no PL goiano. 

Intitulado “Acorda, Goiás”,  o evento é tido como “suprapartidário” pelos organizadores. O encontro irá resgatar as pautas dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, como as críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e a defesa da liberdade irrestrita e da fé cristã. 

Lideranças nacionais do PL já estão confirmadas no evento, como a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro; a deputada Bia Kicis (PL-DF); e os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), André Fernandes (PL-CE) e Carlos Jordy (PL-RJ). O evento é tido como uma continuação da caminhada até Brasília, liderada por Nikolas no início do ano, em que o deputado lançou o slogan “Acorda, Brasil”.

O card de divulgação do evento traz Gayer e as lideranças nacionais já confirmadas no encontro. No entanto, o que chama a atenção é a ausência do senador Wilder Morais, presidente estadual do PL e pré-candidato da sigla ao Governo de Goiás, e da sua pré-candidata a vice, Ana Paula Rezende.

Fato é que a relação entre o senador e o deputado já não é das melhores. O projeto de Wilder que visa o Palácio das Esmeraldas acontece a contragosto de Gayer, que defendia uma aliança do PL com a base do governador Ronaldo Caiado (PSD) e do vice-governador Daniel Vilela (MDB). 

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O marqueteiro e analista político Marcos Marinho avalia que o comportamento de Gayer é “um tanto quanto imaturo”. Marinho ressaltou que Wilder é o presidente do partido no Estado colocado como pré-candidato ao governo com articulação alinhada nacionalmente.

“Já está tudo acertado com o Flávio Bolsonaro, aparentemente. Então, o Wilder vai ter fundo partidário e, além disso, tem muitos recursos próprios. Também terá palanque. O Gustavo vai ter palanque de quem, se não o do Wilder? Ele vai continuar fazendo campanha só digital, só virtual? Uma campanha ao Senado não se faz só com mobilização de fã-clube de internet. Ele precisa de capilaridade, precisa de rua, que é o que ele não tem, nunca teve”, afirmou.

Para o analista, esse cenário pode acabar prejudicando mais Gayer do que Wilder. “O Wilder não tem obrigação de ganhar. Ele tem a obrigação de fazer um bom palanque para o Flávio Bolsonaro e conduzir sua campanha em Goiás. O Gayer tem obrigação de ganhar, porque, se ficar sem mandato, fica fora do jogo. Já pensou o Gustavo Gayer sem mandato? Ele tem complicações que precisa lidar. O Wilder, se perder, continua senador. O Gustavo, se perder, vai para a vala comum e continua fazendo barulho só nas redes sociais”, avaliou.

Marinho entende que a postura do deputado não contribui para o projeto do PL no Estado. “Não está sendo contributiva para o projeto do partido, que hoje passa pelo Wilder. Isso pode prejudicar, sim. Talvez uma parcela mais radical do eleitorado do Gayer não queira votar no Wilder, mas acho difícil, porque o Wilder é o representante do Bolsonaro. O voto do Gayer, em grande medida, é o voto bolsonarista, e esse voto é representado pelo Wilder. Ele pode capturar esse eleitorado independentemente do aval do Gustavo”, disse.

Na avaliação de Marinho, há um erro de percepção sobre os papéis dentro do partido. “Está havendo um equívoco na percepção e na autopercepção dos papéis que são representados por Gustavo Gayer e Wilder Morais dentro do PL.”

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