quarta-feira, 25 de março de 2026
OPINIÃO

Candidatura de Caiado garante 2º turno na eleição presidencial

Com apenas um representante da esquerda, Lula, e o outro lado da polarização, Flávio Bolsonaro, havia o risco de inexistir alternativa de centro ou de inibir nomes mais ligados a correntes de pensamento que representem os demais setores da vida nacional

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 25 de março de 2026
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Fortificação da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, inibe o risco de o centro e o centro-direita não oferecerem alternativas ao eleitor - Foto: Divulgação/Secom Goiás

O último presidente da República eleito em 1º turno foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1994 (54,28%) e 1998 (53,06%), ambas sobre Lula (PT). Poderia acontecer novamente no próximo outubro, pois as pesquisas apontam para polarização no auge, o que poderia definir o projeto de nação nos próximos quatro anos apenas com o mesmíssimo Lula e a 3ª vez de um Bolsonaro nas urnas, o senador Flávio (PL-RJ). A fortificação da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, inibe o risco de o centro e o centro-direita não oferecerem alternativas ao eleitor. Quando seu colega do Paraná, Ratinho Jr., anunciou que ficaria no cargo até 31 de dezembro, a primavera chegou com um semestre de antecedência.

A certeza de que os índices de Caiado vão aumentar se baseia em várias fontes de votos. Já no próximo mês, três vices nascidos em Goiás (Daniel Vilela, do MDB goiano; Celina Leão, do PP de Brasília; Laurez Moreira, do Tocantins) assumem os governos, que atualmente também são quatro, três deles de Anápolis (Caiado; Mauro Mendes, do União Brasil de Mato Grosso; Antonio Denarium, do PP de Roraima) e dois no Tocantins, quando ainda era Norte de Goiás, Wanderley Barbosa (Republicanos), de Porto Nacional, e Mateus Simões (PSD), que acaba de ser empossado em Minas Gerais e nasceu em Gurupi.

Governador goiano pra todo lado pode apoiar

Algum governador, além de Daniel, vai apoiar Caiado para presidente? É mais provável Celina Leão, já que suas maiores cabos eleitorais, a senadora Damares Alves (Republicanos) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), são pouco chegadas em Flávio. Mauro Mendes também pode ajudar. Mateus deve ficar com quem seu antecessor, Romeu Zema (Novo), preferir. De qualquer forma, Caiado terá muitos votos no Tocantins, no Mato Grosso e em Minas. Em Roraima vai prevalecer a polarização Flávio-Lula.

Há um índice considerado chave, 12%. Caiado pode até não ir para o 2º turno que sua candidatura vai provocar, porém, no mínimo desmancha o 0,72% de 1989, quando estreou nas urnas. Para governador, havia o mesmo mito: “Caiado ganha todas para o Legislativo, mas não chega ao Executivo por ser radical”. Ê, não sabiam o que era radicalismo… Em 1994, tentou chegar ao Palácio das Esmeraldas, residência oficial do chefe do Executivo estadual. Liderou a corrida durante vários meses, até ser ultrapassado por Maguito Vilela e Lúcia Vânia, que foram ao 2º turno com vitória dele. Ao conquistar o governo por duas vezes, ambas no 1º turno, Caiado apagou, deletou, extirpou 1994 de sua biografia mais lembrada pelos cidadãos.

Estados maiores fugiram da raia

O mesmo deve ocorrer com a batalha em que está entrando. Líderes de Estados (SP, MG, RJ, PR, RS) com melhor economia e mais habitantes botaram a cabeça de fora, viram a dificuldade e voltaram a submergir. Caiado não perdeu sequer o chapéu de aba larga. E ainda guardou a fé em uma máxima, a de que Presidência da República é destino. Com o óbvio: quem tenta pode perder, mas quem não tenta fica fora de qualquer possibilidade de ajudar o destino e ganhar.

Se chegar ao 2º turno apenas como votante, Caiado ainda terá diversas frentes políticas e eleitorais, ainda que durante o próximo mandato chegue aos 80 anos, idade que Lula alcançou em outubro passado. Raríssimas lideranças atingiram o apogeu com tantas portas abertas: se quisesse, poderia ser deputado ou senador sem qualquer risco. Poderia ainda ser vice de Flávio Bolsonaro. Poderia ficar no governo para facilitar a vida de seus candidatos ao Senado e ao Governo do Estado, mas fez o compromisso de passar a faixa para Daniel no próximo dia 31.

As armas para ajudar o destino

Para colaborar com o destino, Caiado tem a sua biografia, uma excelente máquina partidária e a vontade maior que o mapa da Rússia. E se seu discurso da segurança pública pegar nas regiões metropolitanas de Belém, Manaus, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo? E se o eleitor exigir um candidato anti-Lula com serviços prestados? E se a ética for uma exigência inescapável, tendo o goiano um currículo à disposição? Há muitos “e se” à disposição do destino. E há as certezas. É certo que o Oeste da Bahia vota nele. Os municípios produtores de São Paulo, principalmente nas regiões de Ribeirão Preto e de São José do Rio Preto, votam nele. O Triângulo Mineiro é caiadista roxo, a começar de Uberlândia e Uberaba. O interior do Rio Grande do Sul é muito seu fã, tanto que lidera em algumas cidades, as eminentemente agrícolas.

A grande expectativa é quanto a Ratinho Jr., que não vai apoiar Flávio Bolsonaro por rusgas com o candidato do PL no Paraná e está mais distante de Lula do que de Marte. Se tiver os palanques de Ratinho, com a simpatia de seu pai, o apresentador Carlos Ratinho Massa, o Sul do Brasil vai eleger um goiano pela primeira vez. Colabora com o destino o fato de Goiás inteiro, os dois Mato Grossos e o Oeste da Bahia terem mais gaúchos, paranaenses e catarinenses que nativos. Essas migrantes vão entrar em contato com as famílias no Sul e recomendar.

Não é fácil ser eleitor nem conselheiro tutelar. Toda votação exige esforço, conteúdo, trabalho incessante. No caso da disputa pela Presidência da República, os mais diversos personagens cumpriram seu destino de variadas formas. Se for a vez de Caiado, e o determinismo também conta, olha ele lá subindo a rampa com as passadas largas das pernas compridas e magras. Se não for, talvez lhe reste um ministério, apesar de ele não ter a menor vocação para ser mandado por alguém que não seja o eleitor… ou o destino. (Especial para O HOJE)

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