quarta-feira, 25 de março de 2026
LEGADO EM DISPUTA

Entre herdeiros e alianças: o peso do nome Maguito em 2026

Filho e viúva em lados opostos expõem disputa por legado político em Goiás, enquanto outros sobrenomes históricos também entram no jogo eleitoral

Luma Silveirapor Luma Silveira em 25 de março de 2026
Maguito
Foto: Clara Cardoso/O HOJE

Maguito Vilela se foi em 13 de janeiro de 2021, mas em 2026 seu nome segue presente, influente e, sobretudo, estratégico na política de Goiás. Mais do que uma lembrança, ele se tornou um eixo simbólico em torno do qual diferentes projetos de poder se reorganizam.

O movimento mais recente deixa isso evidente. De um lado, o filho, Daniel Vilela, se consolida como pré-candidato ao governo pelo MDB, carregando diretamente o legado político do pai. De outro, a viúva, Flávia Telles, protagoniza um gesto que redesenha alianças: sua filiação ao PSDB, ao lado de Marconi Perillo, antigo adversário histórico de Maguito.

O que poderia soar como contradição, na prática, revela uma reconfiguração mais profunda. Ao justificar sua decisão, Flávia recorre justamente à memória política e pessoal do marido. Não nega os embates do passado, mas expõe os bastidores de respeito, diálogo e parceria que, segundo ela, sempre existiram fora dos palanques. Ao fazer isso, transforma o legado de Maguito em ponte, não em barreira, entre projetos distintos.

Leia mais: Viúva de Maguito Vilela se filia ao PSDB de Marconi Perillo

Esse movimento também reposiciona Marconi Perillo. Ao ser validado publicamente pela viúva de um de seus principais adversários, ele ganha não apenas apoio político, mas uma espécie de legitimação moral ancorada na história. A narrativa deixa de ser apenas eleitoral e passa a disputar memória, coerência e trajetória.

Outro legado em disputa na oposição

Mas esse não é um fenômeno isolado. Do outro lado do tabuleiro, a oposição também recorre a um nome que transcende o presente. O legado de Iris Rezende volta ao centro do debate político. Sua filha, Ana Paula Rezende, surge como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Wilder Morais, pelo PL.

Assim, o cenário que se desenha para 2026 em Goiás vai além de uma disputa entre partidos. Trata-se de uma eleição marcada pela força dos sobrenomes, pela disputa de legados e pela tentativa de diferentes grupos políticos de se conectarem com histórias que ainda mobilizam o eleitorado.

No fim, mais do que lembrar Maguito Vilela, seus aliados e adversários parecem disputar o significado do que ele representou e, principalmente, quem está mais apto a continuar essa história.

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