quarta-feira, 25 de março de 2026
Imóveis em Goiás

Mercado imobiliário de Goiás cresce e aponta avanço da locação e novos investimentos

Diagnóstico do Secovi Goiás mostra valorização em regiões estratégicas, alta na demanda por aluguel e expansão do Minha Casa Minha Vida no estado

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 25 de março de 2026
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Foto: Divulgação

O Sindicato das Imobiliárias e dos Condomínios de Goiás (Secovi Goiás) apresentou, na manhã desta quarta-feira (25), um diagnóstico completo sobre o mercado imobiliário de revenda e locação de imóveis no estado. O levantamento reúne dados consolidados de 2025.

Elaborado pelo Portal 62 Imóveis, parceiro do Secovi, o estudo traz um panorama detalhado do desempenho do setor, incluindo o Volume Geral de Vendas (VGV) na capital e em outras seis cidades da Região Metropolitana. O diagnóstico também apresenta dados sobre a quantidade de imóveis disponíveis para venda e locação no período.

Na capital, o levantamento aprofunda a análise em 20 bairros que concentram cerca de 80% da oferta de apartamentos. Entre os indicadores estão o valor médio do metro quadrado, regiões com maior e menor valorização e os locais com maior demanda, informações que ajudam a entender onde o mercado está mais aquecido.

Segundo o presidente do Secovi Goiás, Antônio Carlos da Costa, o estudo reforça o papel da entidade na produção de informações estratégicas para o setor. “Nosso compromisso é oferecer inteligência de mercado para que empresários, investidores e profissionais possam tomar decisões mais seguras e embasadas”, destacou.

De acordo com ele, a consolidação dos dados de 2025 permite uma leitura mais precisa do comportamento do mercado imobiliário no estado, evidenciando tendências de valorização, regiões mais demandadas e o ritmo de crescimento do setor. O levantamento também serve como base para projeções mais assertivas para 2026.

Entre os principais destaques está o crescimento expressivo do mercado de locação em Goiás. Para o presidente, a alta procura está diretamente ligada ao momento de expansão de Goiânia, com impacto na dinâmica entre oferta e demanda.

Ele também aponta uma mudança no perfil do consumidor: muitas pessoas têm optado pelo aluguel não por falta de condições de compra, mas pela flexibilidade que esse modelo oferece. Outro ponto relevante é a valorização de regiões específicas da capital. Áreas como a região do Aeroporto e a região Norte de Goiânia têm apresentado crescimento significativo, enquanto bairros já consolidados seguem em desenvolvimento contínuo.

Sobre o cenário econômico, Antônio Carlos avalia que o mercado imobiliário goiano vive um momento positivo. Segundo ele, o estado possui um diferencial por estar menos exposto a crises recorrentes, com forte influência do agronegócio na economia, o que contribui para a estabilidade e impulsiona outros setores. Fatores como responsabilidade fiscal e ambiente econômico favorável também aumentam a segurança para investimentos.

Já Marcelo Ramos, sócio do Portal 62 Imóveis, destacou o potencial do mercado imobiliário como forma de investimento. Segundo ele, alguns empreendimentos têm apresentado resultados expressivos, superando indicadores tradicionais, o que reforça a atratividade do setor.

Marcelo também explicou que a concentração de cerca de 80% da oferta de apartamentos em 20 bairros reflete o próprio comportamento do mercado. “O portal funciona como um espelho da oferta. Esses bairros concentram maior volume porque reúnem demanda, infraestrutura e potencial de valorização”, afirmou.

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Mercado imobiliário de Goiás cresce em 2025 e FGTS impulsionando acesso à moradia. Foto: Nívia Menegat O Hoje

Imobiliário pelo FGTS e Minha Casa Minha Vida 

Ao abordar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o impacto do programa Minha Casa Minha Vida, o presidente do Secovi Goiás, defendeu que os recursos do fundo continuem sendo direcionados prioritariamente para a habitação, reforçando seu papel no acesso à casa própria.

Segundo ele, houve um aumento expressivo na demanda por imóveis enquadrados no programa.“Vivemos um verdadeiro boom, especialmente em Goiás, com muitas contratações pela Caixa. É um mercado muito interessante para quem compra, porque o imóvel já se valoriza desde o início, principalmente por conta do subsídio”, explicou.

De acordo com o presidente, em alguns casos, o comprador pode obter ganhos imediatos ao adquirir o imóvel, com valorização que pode variar entre R$ 40 mil e R$ 80 mil, dependendo da unidade. “Além de ser a solução da casa própria, também se torna uma forma de investimento”, destacou.

Antônio ressaltou ainda que o crescimento acelerado do programa traz desafios, especialmente no que diz respeito à infraestrutura urbana. Ele mencionou uma preocupação do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, sobre a necessidade de garantir serviços básicos, como escolas e segurança, nas regiões que recebem grande número de novos empreendimentos.

“É preciso acompanhar esse crescimento com planejamento. Não se pode sobrecarregar o empreendedor, porque isso encarece o imóvel e inviabiliza o acesso para o público do programa. Mas também é necessário buscar soluções conjuntas com o poder público, especialmente em relação à oferta de infraestrutura”, afirmou.

Atualmente, segundo ele, existem mais de 70 projetos do Minha Casa Minha Vida aprovados apenas em Goiânia. Na Região Metropolitana, esse número pode dobrar ou até superar essa marca, o que reforça o momento de expansão do setor.

A expectativa, de acordo com o presidente, é de continuidade desse crescimento, impulsionado pelo subsídio e pela alta demanda, principalmente de quem busca o primeiro imóvel. Ele também destacou mudanças recentes no programa, como o aumento do valor dos imóveis financiáveis, que pode chegar a até R$ 600 mil em determinadas faixas, ampliando o acesso a unidades de melhor qualidade.

Outro ponto levantado foi a possibilidade de expansão do programa para incluir a compra de lotes e financiamento para construção. Para Antônio Carlos, essa alternativa permitiria mais autonomia às famílias. “Quando a pessoa compra um apartamento, ela fica limitada àquele espaço. Já na casa própria construída em um lote, é possível ampliar ao longo do tempo, conforme a necessidade da família”, explicou.

Por fim, ele também chamou atenção para os impactos urbanos dos diferentes modelos habitacionais. Enquanto loteamentos tendem a evoluir ao longo do tempo, com melhorias progressivas, os empreendimentos padronizados do programa mantêm uma configuração mais fixa, o que, segundo ele, também deve ser considerado no planejamento das cidades.

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