segunda-feira, 5 de outubro de 2026
CONTRAPROPOSTA

Irã recusa proposta dos EUA e apresenta novos termos

Segundo a mídia iraniana, Irã recusou o plano de Washington e respondeu com contraproposta em meio à escalada militar

Lalice Fernandespor em
Irã rejeita proposta dos EUA que reúne 15 pontos e inclui zona marítima livre no Estreito de Ormuz
De acordo com NYT, proposta dos EUA reúne 15 pontos e inclui zona marítima livre no Estreito de Ormuz (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

A proposta dos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio foi rejeitada pelo Irã nesta quarta-feira (25), segundo informações divulgadas pela emissora estatal Press TV. A resposta de Teerã veio acompanhada do envio de uma contraproposta, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas e militares na região.

O plano norte-americano havia sido encaminhado ao governo iraniano por intermédio do Paquistão, de acordo com relatos de integrantes dos dois países às agências Reuters, Associated Press (AP) e AFP, segundo o G1. Apesar de confirmar o recebimento do documento, o governo iraniano classificou os termos como “excessivos e desconectados da realidade” e indicou que não aceitará condições impostas por Washington.

Segundo o veículo estatal, Teerã afirmou que o encerramento do conflito dependerá exclusivamente de suas próprias decisões. “O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas”. A manifestação contraria declarações feitas ao longo da semana pelo presidente Donald Trump, que havia dito que o país persa buscava um acordo.

EUA estão “negociando consigo mesmos”

A reação iraniana também incluiu críticas diretas à condução norte-americana das negociações. Um porta-voz militar afirmou que os EUA estariam “negociando consigo mesmos”, em referência às falas de Washington sobre possíveis avanços diplomáticos. O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, ironizou a liderança norte-americana: “o nível da sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?”.

Zolfaqari acrescentou que não haverá normalização nos investimentos ou nos preços de energia enquanto Washington não reconhecer o papel das forças armadas iranianas na estabilidade regional. Segundo ele, não há possibilidade de entendimento entre os dois países nas condições atuais.

Embora o conteúdo do plano não tenha sido divulgado oficialmente, detalhes publicados na terça-feira (24) pelo jornal The New York Times apontam que a proposta reúne 15 pontos e aborda temas centrais do impasse entre os dois países. Entre eles, estão restrições ao programa nuclear iraniano, limites ao desenvolvimento de mísseis balísticos e a desativação de instalações de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow.

A proposta também incluiria o fim do financiamento a grupos aliados do Teerã na região, como Hamas e Hezbollah, além da criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz. De acordo com a emissora israelense Canal 12, o plano prevê ainda um cessar-fogo de 30 dias como etapa inicial para a abertura de negociações.

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz (Foto: Reprodução/ Google Maps)

Irã permitirá passagens “não hostis” no Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz permanece como um dos principais pontos de tensão no conflito. Responsável pelo escoamento de grande parte do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, a região tem registrado restrições que afetam o fluxo de navios comerciais e pressionam o mercado internacional de energia.

Em nota enviada ao Conselho de Segurança da ONU e à Organização Marítima Internacional, segundo a CNN com informações da Reuters, o país persa afirmou que permitirá a passagem de embarcações consideradas “não hostis”, desde que haja coordenação com autoridades iranianas e cumprimento de regras de segurança. O documento foi distribuído aos países-membros das organizações internacionais.

Segundo o governo iraniano, embarcações ligadas aos EUA a Israel ou a países envolvidos na ofensiva não terão direito à chamada “passagem inocente”. Autoridades também indicaram que a travessia poderá estar sujeita à cobrança de taxas, justificando a medida pelas condições impostas pela guerra.

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