quarta-feira, 25 de março de 2026
SAÚDE | CIÊNCIA

Natação faz mais pelo coração do que a corrida, aponta estudo

Pesquisa da Unifesp publicada na Scientific Reports mostra que nadar provoca mudanças estruturais e moleculares no músculo cardíaco que a corrida não consegue replicar

Luana Avelarpor Luana Avelar em 25 de março de 2026
Natação
Foto: freepik

Dois grupos de ratos treinaram na mesma intensidade, pelo mesmo período de oito semanas, e alcançaram ganhos idênticos de condicionamento físico. Mas quando os pesquisadores examinaram o coração desses animais, o que encontraram desfez uma premissa antiga da ciência do exercício: apenas os que nadaram apresentaram um coração estruturalmente diferente, maior, mais musculoso e molecularmente reconfigurado. Os que correram tinham um coração quase idêntico ao dos animais sedentários.

A descoberta foi produzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo com financiamento da Fapesp e publicada na revista Scientific Reports. O resultado coloca em xeque décadas de estudos que tratavam corrida e natação como modalidades intercambiáveis para a saúde cardiovascular.

Natação e o coração que cresce

O músculo cardíaco se adapta ao esforço físico regular aumentando de tamanho e de eficiência, fenômeno conhecido como hipertrofia fisiológica. Quanto mais desenvolvida essa adaptação, maior a força de contração do coração e maior o volume de sangue bombeado a cada batimento. O estudo demonstrou que a natação induz esse processo com muito mais intensidade do que a corrida. Os animais que nadaram apresentaram aumento significativo da massa cardíaca total e do ventrículo esquerdo. Nos ratos que correram, essas mesmas medidas não diferiram das encontradas nos animais sedentários, mesmo com ganho superior a 5% no VO₂ máximo em ambos os grupos.

A biologia da diferença

Para entender por que a natação vai mais longe, os pesquisadores desceram ao nível molecular e encontraram a resposta nos microRNAs, moléculas que funcionam como reguladores do que o organismo produz, determinando quais proteínas serão fabricadas pelas células e em que quantidade. A natação modulou de forma significativamente maior os microRNAs responsáveis pelo crescimento das células cardíacas, pela formação de novos vasos sanguíneos, pela proteção contra morte celular e pela regulação da força de contração do miocárdio. A corrida, nas mesmas condições experimentais, não produziu alterações comparáveis. Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que a natação aciona esses mecanismos com mais intensidade, e a comprovação definitiva exige novos estudos.

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