Mães denunciam maus-tratos contra crianças em Cmei de Senador Canedo
Áudios atribuídos a professora mostram ameaças e ofensas; prefeitura afastou servidores e abriu investigação
Mães de alunos denunciam que crianças sofreram maus-tratos dentro do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Dom Fernando Gomes, em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Áudios que circulam entre responsáveis mostram supostas falas de uma professora e de uma auxiliar com ameaças e ofensas direcionadas a alunos.
Em um dos trechos, uma criança é chamada de “irritante”. Em outro, há uma ameaça de agressão: “Chega pra cá, senão eu vou fazer questão de sentar bem em cima da tua cabeça”, diz a gravação atribuída à professora.
Os áudios teriam sido enviados de forma anônima às mães. Em uma das conversas, as profissionais demonstram irritação após um aluno evacuar. “Para de graça! Tava sujo e aqui tá até na ponta da meia ainda! Ô, moço enjoado!”, diz outro trecho.
A defesa da professora, identificada como Valdirene de Jesus Andrade, informou à TV Anhanguera que confia na apuração das autoridades e que deve se manifestar no momento oportuno. Já a auxiliar citada, Érika Gomes, não comentou o caso até a última atualização.
As denúncias causaram revolta entre os pais. A mãe Sarah Pimentel, que tem uma filha de 3 anos matriculada na unidade, afirmou que a criança não tem como se defender.
“Está tudo muito claro nos áudios, com agressões físicas e psicológicas. Estou muito revoltada”, disse.
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Outra mãe, Caylane Maria Machado, defendeu a instalação de câmeras nas salas de aula como forma de prevenir situações semelhantes. Uma terceira responsável, que preferiu não se identificar, relatou mudanças no comportamento do filho após o episódio. Segundo ela, a criança passou a ter medo de tomar banho e chora durante o sono.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Senador Canedo informou que afastou imediatamente os profissionais envolvidos e instaurou um Processo Administrativo para investigar o caso.
A secretária de Educação, Élida Ferreira, afirmou que testemunhas serão ouvidas durante a apuração e não descartou punições mais severas.
“Pode haver exoneração, dependendo do que for comprovado”, disse.
Ela também mencionou a possibilidade de instalação de câmeras de monitoramento nas unidades escolares, mas destacou que a medida ainda precisa ser avaliada.
“Existe todo um sistema de monitoramento e precisamos verificar se é permitido implementar esse tipo de recurso dentro das salas”, completou.