MotoGP movimenta R$ 7 mil por turista e reforça potencial internacional de Goiás
Evento registra alto gasto por visitante, impulsiona o turismo e indica caminhos para ampliar os benefícios entre os setores
A segunda etapa do Campeonato Mundial de Motovelocidade (MotoGP), realizada em Goiânia entre os dias 20 e 22 de março, consolidou-se como um importante marco de visibilidade internacional para a capital goiana e reforçou o potencial do Estado na realização de grandes eventos.
Dados do Observatório de Turismo de Goiás apontam um desempenho expressivo: o turista que visitou a cidade para o evento desembolsou, em média, quase R$ 7 mil durante a estadia. Ao mesmo tempo, o Sindicato dos Bares e Restaurantes de Goiânia (Sindibares) apresentou uma avaliação mais cautelosa, destacando que os resultados ficaram abaixo das expectativas para parte do setor, o que evidencia desafios na distribuição dos benefícios econômicos.
De acordo com a pesquisa “Perfil e Satisfação do Participante do MotoGP Goiânia 2026”, turistas vindos de outros Estados e do exterior gastaram, em média, R$ 6.856,28 por pessoa. Esse valor resulta da soma do consumo direto dentro do evento, cerca de R$ 2.703,40, com as despesas de permanência na Capital, estimadas em R$ 4.152,88. Os números reforçam o potencial do evento como vetor de arrecadação e indicam um perfil de visitante com alta capacidade de consumo, especialmente em serviços vinculados à experiência do espetáculo esportivo.
O levantamento, realizado em parceria com órgãos como a GoiâniaTur, o Sebrae e o Governo de Goiás, indicou que a média de permanência dos visitantes foi de quatro pernoites, o que corresponde a um gasto diário médio de R$ 1.038,22. Esse valor per capita engloba despesas com hospedagem, transporte, lazer, compras e alimentação, demonstrando que o impacto econômico do evento alcança diferentes segmentos da cadeia turística, ainda que com dinâmicas distintas entre os setores.
Para o presidente da Goiás Turismo, Roberto Naves, os números confirmam que o MotoGP atraiu um “público qualificado”, capaz de movimentar múltiplos setores e fortalecer a imagem de Goiás como destino de alto nível. A avaliação positiva dos participantes reforça essa percepção: o evento recebeu nota 4,07, enquanto a cidade alcançou 4,26 em uma escala de 1 a 5, indicando alto grau de satisfação tanto com a organização quanto com a experiência urbana oferecida aos visitantes. Além disso, 76% dos participantes manifestaram intenção de retornar para a edição de 2027, o que sugere potencial de fidelização e continuidade do fluxo turístico nos próximos anos.
A abrangência territorial do MotoGP 2026 também se destacou como um dos principais indicadores de sua relevância internacional. A pesquisa identificou representantes de 20 países e 25 Estados brasileiros, evidenciando a capacidade do evento de atrair um público diversificado e geograficamente amplo.
Entre os estrangeiros, predominam turistas da Espanha e da Argentina (18,5% cada), seguidos por Colômbia, Inglaterra e França (7,4% cada), o que demonstra a forte conexão do campeonato com os mercados tradicionais do motociclismo. No cenário nacional, São Paulo liderou a emissão de visitantes, com 22,5%, seguido por Minas Gerais (5,8%) e Paraná (5,6%), reforçando a centralidade da região Sudeste no fluxo turístico.
Segundo Amanda Borges, coordenadora do Observatório do Turismo de Goiás, apenas 31,7% do público era residente em Goiânia, o que evidencia a predominância de turistas no evento e reforça seu caráter de atração externa. O nível de engajamento também foi significativo: quase 75% do público compareceu aos três dias de programação no Autódromo Internacional Ayrton Senna, indicando alto interesse nas atividades e forte adesão à proposta do evento. Esse dado revela não apenas a relevância esportiva do MotoGP, mas também sua capacidade de retenção de público ao longo de toda a programação, potencializando os impactos econômicos e turísticos durante o período de realização.

Setor gastronômico projeta avanços e ajustes para ampliar resultados para as próximas edições do MotoGP
Apesar dos indicadores institucionais positivos, o setor de bares e restaurantes adota uma avaliação mais moderada sobre os resultados do período. O Sindibares, que representa cerca de 800 estabelecimentos, divulgou nota afirmando que os resultados econômicos ficaram “muito aquém do esperado”, indicando que os efeitos do evento não se distribuíram de maneira uniforme entre os diferentes segmentos da economia local.
O presidente do sindicato, Newton Pereira, destacou que houve preparação intensa por parte dos empresários, com reforço de equipes, ampliação de estoques e investimentos em capacitação, incluindo tradução de cardápios e contratação de intérpretes para atender visitantes internacionais. Ainda assim, o retorno financeiro foi considerado abaixo do esperado pela maioria, o que gerou frustração entre os empreendedores que apostavam no aumento significativo do movimento durante os dias de realização do evento.
Entre os fatores apontados pelo Sindibares, está a dinâmica atípica de circulação de público durante o período. A estimativa é de que cerca de 300 mil goianienses tenham deixado a Capital, enquanto aproximadamente 150 mil turistas chegaram, gerando um desequilíbrio momentâneo no perfil de consumidores. Esse cenário impactou especialmente estabelecimentos que dependem mais do público local.
Outro ponto citado foi a dificuldade de deslocamento em determinados momentos, o que pode ter influenciado a circulação interna da população. Em algumas regiões, moradores optaram por permanecer em casa, reduzindo o fluxo habitual em bares e restaurantes.
Ainda assim, a avaliação do setor aponta para oportunidades de aprimoramento nas próximas edições. O Sindibares reconhece a importância do evento para a cidade e seu potencial de geração de negócios, defendendo ajustes que possam ampliar a integração entre os diferentes segmentos econômicos. Veja também que Ingressos para a MotoGP 2027 em Goiânia já estão à venda
Entre as sugestões apresentadas estão o aperfeiçoamento de estratégias que favoreçam a circulação de pessoas e o equilíbrio do fluxo de consumidores, com o objetivo de ampliar o alcance dos impactos positivos. Segundo Newton Pereira, a expectativa é de que, com esses ajustes, toda a cadeia produtiva possa ser ainda mais beneficiada.
A pesquisa do Observatório do Turismo, que contou com 273 pesquisadores distribuídos em 16 pontos estratégicos, continuará sendo analisada para a elaboração de um boletim final. O documento deverá reunir sugestões e percepções do público, servindo de base para aprimoramentos futuros e para o planejamento das próximas edições. A perspectiva do setor é que, a partir da experiência já considerada relevante para Goiânia, os resultados possam ser ainda mais equilibrados e abrangentes nos próximos anos.