sábado, 28 de março de 2026
OPINIÃO

Após parentes nas vices da oposição, Daniel está entre 2

Opções de candidato do governo devem ficar entre José Mário Schreiner e Bruno Peixoto, únicos com voto, para contrapor filha de Iris Rezende e viúva de Maguito

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 28 de março de 2026
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Caso Daniel, que vai receber de Ronaldo Caiado a faixa de governador na próxima semana, seja reeleito em outubro, Bruno teria de tentar o Palácio das Esmeraldas em 2030 - Foto: Carlos Costa/Alego

Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) escolheram duas vices diretamente da família do principal adversário, Daniel Vilela (MDB). Passados os espasmos iniciais de Ana Paula Rezende, filha do casal Iris, e Flávia Teles, viúva de Maguito Vilela, acompanharem chapas alheias ao partido do pai e do marido, está uma pergunta incômoda: as duas vão render alguma coisa? Enquanto cada qual defende seu lado, na outra margem do rio está Daniel com algumas alternativas, duas delas consolidadas, o ex-deputado federal José Mário Schreiner e o presidente da Assembleia, Bruno Peixoto.

Ao convidarem as duas para as vices, Wilder e Marconi deram um solavanco nas articulações, mas não acrescentaram grupos políticos a suas aspirações. Ana Paula é mais nutrida, pois a associação com os pais é imediata e Iris deixou ótimas lembranças das últimas gestões na Prefeitura de Goiânia. Flávia aparenta ter pouco traquejo no trato com a população pobre, que é a média do eleitorado goiano. Não podem sequer ser comparadas a Zé Mário e Bruno, macacos velhos nas andanças em busca de voto.

Duas bilionárias contra dois políticos

Ana Paula e Flávia são empresárias, assim como Zé e Bruno. Dos quatro, quem tem mais dinheiro é a bilionária Flávia. As duas não exerceram mandato, Ana Paula está estreando em candidatura. Bruno tem mandato desde adolescente e Zé é líder classista e político.

O quarteto tem biografias bem díspares. O único dos quatro que venceu na vida por méritos próprios foi Zé Mário, filho de um chacareiro em Santa Catarina que chegou sozinho a Goiás sem nem um cachorro para sacudir o rabo anunciando alguma alegria com sua presença. Começou a vida vendendo mercadorias agrícolas para produtores rurais de Mineiros e vizinhança, na Região Sudoeste do Estado. Foi galgando econômica e financeiramente. Entrou na política classista e tornou-se uma das maiores lideranças do campo no Brasil. É vice-presidente da CNA, a maior entidade nacional de defesa de quem trabalha e produz. Está à frente em Goiás da Federação de Agricultura (Faeg), do Sebrae e do Serviço de Aprendizagem Rural (Senar).

Paradoxo de Bruno: se ganhar para vice, desmantela a máquina de deputado

Bruno preside a Assembleia Legislativa de Goiás e o diretório regional do União Brasil. É filho de um casal de empreendedores, Regina e Tião Peixoto, novamente vereador em Goiânia. Tem um problema caso seja escolhido vice: desarma sua candidatura à Câmara dos Deputados, que está redondinha e caminha para superar o atual diretor do Detran, Waldir Soares, como o federal mais votado da história de Goiás. Caso Daniel, que vai receber de Ronaldo Caiado a faixa de governador na próxima semana, seja reeleito em outubro, Bruno teria de tentar o Palácio das Esmeraldas em 2030.

O quadro está longe disso. Caso Caiado não ganhe para presidente da República, sua opção é voltar para o governo. Como vice do Executivo, Bruno não terá nem sombra das regalias do Legislativo. Portanto, o mais provável é que se desfaça a máquina que lhe garante o favoritismo de hoje para ser deputado federal. Bruno sonha ser prefeito de Goiânia, o que é muito mais fácil de alcançar estando em Brasília que numa salinha de palácio cercado de assessores inúteis.

Ana Paula é crente verdadeira, mais que o ex-senador Luiz do Carmo

A vice de Wilder tem muitos atributos. Ana Paula é militante evangélica verdadeira, mais autêntica até do que o pastor Luiz do Carmo, outro pretendente a vice de Daniel. Carmo chegou a senador por ter sido suplente de Caiado, teve mais de quatro anos para mostrar algum talento parlamentar e não conseguiu sequer ser candidato à reeleição. Ana Paula, também bilionária, mas com menos dinheiro que Flávia, passou os mandatos do pai auxiliando-o de dentro do gabinete. Era uma secretária sem nomeação, mas com muito poder.

Flávia fez um trabalho interessante no ultrabem-sucedido governo de Maguito em Aparecida de Goiânia, mas sua capacidade eleitoral ainda não foi testada. Sua antecessora no cargo e no matrimônio com Maguito, Carmem Sílvia, também rompeu com o MDB e colheu insucesso nas urnas para deputada estadual, obteve pouco mais de 4 mil votos. A falta de voto de ambas não é defeito, apenas precisam andar em muita estrada de chão até alcançarem a rodagem de Zé Mario e Bruno.

As esquerdas ainda não apresentaram seu pré-candidato a governador e, portanto, muito menos ao Senado.
(Especial para O HOJE)

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